Simão levantou-se do chão, ficou de pé ao lado da cama e olhou para Jaqueline, que exibia uma expressão de pura fúria. Com a voz baixa e carregada de frustração, ele disse:
— Clarice já não está mais aqui. Se você continuar me afastando, não vai ter ninguém ao seu lado quando precisar.
Jaqueline, sentada na cama, lançou-lhe um olhar gélido, como se as palavras dele não fossem capazes de atravessar sua barreira de frieza.
— Mesmo que eu fique sozinha, nunca mais quero estar com você! — Respondeu ela, com firmeza.
Envolver-se com um homem que já tinha uma noiva só a levaria ao sofrimento. Era melhor cortar os laços agora, antes que acabasse completamente destruída.
— Jaqueline, você é a única mulher da minha vida! Eu não estou com mais ninguém. — Insistiu Simão, tentando convencê-la. — Você precisa acreditar em mim!
Jaqueline manteve o olhar fixo no rosto dele e soltou uma risada fria.
— Mesmo que você não esteja com ela, o fato de serem noivos não muda! Você tem outra mulher na sua vida e ainda quer ficar comigo? Quer acabar comigo, é isso? O que aconteceu com Clarinha não foi suficiente para me fazer enxergar?
Se Clarice tivesse se afastado de Sterling mais cedo, Teresa não teria acumulado tanto ódio contra ela. A avó de Clarice não teria sido morta, e Clarice ainda estaria viva.
Mas o mundo não trabalha com "se".
Jaqueline sabia disso. Depois do que aconteceu com Clarice, não havia a menor possibilidade de ela repetir o mesmo erro com Simão.
— Clarice foi Clarice, e você é você! Eu nunca vou deixar que algo aconteça com você! — Garantiu Simão, com convicção.
Jaqueline suspirou profundamente. Finalmente, decidiu dizer o que guardava dentro de si por tanto tempo:
— Simão, eu sempre soube que quem você ama, de verdade, é a Nanda. Durante todos esses anos, você só me manteve ao seu lado porque eu me pareço um pouco com ela. Mas eu não quero mais ser seu substituto. Vamos terminar. Não me procure mais!
As palavras saíram como uma libertação. Ela sentiu o peso no peito diminuir, como se finalmente pudesse respirar.
Simão ficou paralisado, chocado. Demorou alguns segundos para processar o que tinha acabado de ouvir.
— Jaqueline… — Tentou dizer algo, mas ela o interrompeu.
Jaqueline sentiu uma pontada no peito, como se algo estivesse perfurando seu coração. As palavras de Sterling, ditas no dia anterior, ecoaram em sua mente.
— Peça para ele ir embora. Diga que eu não quero trabalhar com o Grupo Davis. — Respondeu ela, sem hesitar.
— O quê? Eu ouvi direito? Chefe, você está recusando um projeto desses? — A assistente perguntou, incrédula.
— Você ouviu muito bem. Faça o que eu disse! — Ordenou Jaqueline, com firmeza.
Ela sabia que Sterling só queria colaborar com seu estúdio por causa de Clarice. Não suportava a ideia de usar a memória de Clarice para ganhar dinheiro. Isso seria uma traição à amiga que ela tanto amava.
— Certo… — Respondeu a assistente, com um tom de decepção.
Era muito dinheiro sendo recusado. Só de pensar nisso, ela sentiu um aperto no coração. Mas, como funcionária, não podia fazer nada além de obedecer.
Jaqueline desligou o celular, pegou sua bolsa e saiu sem nem tomar café da manhã. Ela foi direto para o estúdio, determinada a seguir com sua decisão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Um Vício Irresistível
Por favor, cadê o restante do livro???...