Amelia se virou e encontrou o olhar profundo de Ethan.
O fato de ele realmente ter conseguido aparecer foi inesperado.
Antes que ela pudesse falar, Beatrice já estava com um sorriso falso e falando com sarcasmo. “Amelia acabou de nos dizer que teve uma emergência no trabalho e não podia vir. Não combinaram a história antes?”
Ethan ficou parado por um momento, seu olhar percorrendo a situação de Amelia.
Ele franziu a testa, descontente.
Deu um passo à frente, envolvendo naturalmente o ombro de Amelia com o braço e puxando-a parcialmente para seu abraço, olhando diretamente para Beatrice.
“Realmente houve uma emergência da qual não consegui me afastar. Mas, quando pensei que, se não viesse hoje, Amelia provavelmente seria mal tratada de novo, então, até mesmo o assunto mais importante, teve que ficar em segundo plano.”
A expressão de Beatrice mudou imediatamente, seu sorriso congelando no rosto.
“O que você quer dizer com isso? Foi a Amelia que se ofereceu para ajudar. Ela se fez de vítima, dizendo que a intimidamos? Que atriz!”
Ao sair, Beatrice lançou um olhar venenoso para Amelia.
Amelia se afastou suavemente do abraço de Ethan, evitando o toque dele.
Ela ergueu o olhar, com uma expressão distante, e perguntou de forma neutra: “Está tudo resolvido?”
“Desculpa”, Ethan disse, em voz baixa. “O ferimento da Isla já foi tratado. Pedi para levarem as duas para casa.”
Ele fez uma pausa, olhando para o perfil frio de Amelia, e perguntou novamente: “Kevin veio de carro, mas não conseguiu te encontrar. Como chegou aqui?”
Ela abaixou os olhos de forma indiferente, organizando o livro de registros. “Já estou aqui. Qual é o sentido de perguntar?”
A testa de Ethan se franziu, um traço de irritação passando por seus olhos.
Mas, lembrando que de fato estava errado naquele dia, conteve a raiva.
Os Harlow eram atentos. Ao verem Ethan chegar, suas atitudes mudaram imediatamente.
Clara, que momentos antes estava dando ordens a Amelia, agora caminhou até eles com um sorriso radiante.
“Você chegou! Vamos, vá se sentar na mesa principal. Sinceramente hein, Amelia... Como pôde fazer o Ethan ficar aqui parado?”
Amelia observou enquanto Ethan era cercado pelos Harlow e conduzido até a mesa principal.
O homem que lidava com os negócios com tanta facilidade agora trocava cortesias com David, Clara e os outros de forma natural.
Inúmeras lembranças passaram pela mente de Amelia.
Nos dois primeiros anos de casamento, os Harlow também tratavam as pessoas de acordo com o status dessa forma.
Sempre que dificultavam as coisas para ela, Ethan surgia como hoje, protegendo-a discretamente e bloqueando todos os ataques.
Ele realmente não tinha sido completamente ruim com ela.
Mas essa bondade vinha do dever, da obrigação do herdeiro dos Rowe de manter as aparências com a esposa. A única coisa que não vinha era amor.
Logo, o banquete começou.
Clara mencionou casualmente um sobrinho de sua família que havia se formado em uma universidade renomada e tinha padrões elevados, mas ainda não havia encontrado um trabalho adequado.
Ethan entendeu a indireta e continuou. “Depois da comemoração, peça para ele me enviar o currículo. Se a formação e as qualificações forem adequadas, a empresa tem algumas vagas. Posso pedir para organizarem algo.”
Clara ficou radiante, elogiando-o repetidamente por ser tão atencioso.
David, na mesa principal, observava a cena e agradecia com satisfação.
Ele estava satisfeito em ver Ethan se importando com os assuntos da família Harlow. Isso significava que a aliança entre os Rowe e os Harlow era sólida, com benefícios compartilhados.
David tomou um gole de chá, voltou o olhar para Amelia e Ethan, e perguntou, com um sorriso: “Vocês já estão casados há alguns anos. A carreira é importante, mas já está na hora de pensar em ter um filho.”
A mão dela se apertou com força ao redor do garfo, sua expressão ficando estranha.
Ethan parecia completamente tranquilo.
Que desculpa perfeita! Que marido atencioso!
Naquele momento, era como se fossem uma verdadeira família.
O rosto de Amelia ficou pálido como um fantasma. Suas mãos, debaixo da mesa, cravaram-se nas palmas até sangrar, mas ela não sentia dor alguma.
Quase todos os presentes mudaram de expressão.
Aquela era a celebração dos Harlow. Ethan era o genro da família, mas, diante de todos, segurava o filho de outra mulher com tanta intimidade.
E, como se não bastasse, Hannah se aproximou de Amelia e falou suavemente.
“Sra. Harlow, me desculpe.” Sua postura era extremamente humilde.
“Não quis interromper a celebração do seu avô. É só que a Isla e o Ethan são tão próximos que ela não consegue ficar longe dele nem por um momento. Não tive escolha senão...”
Ela deixou a frase em aberto de propósito, mas o significado era claro.
Queria que todos vissem que o marido de Amelia agora tratava sua filha como se fosse dele.
Os cochichos dos convidados ecoavam ao redor, os olhares indo e vindo entre eles, alguns lançando olhares de canto para ela.
Aqueles olhares julgadores a faziam se sentir sufocada.
Ela queria desesperadamente fugir, mas se forçou a manter a calma.
Na mesa principal, David finalmente tossiu com força. Seus olhos envelhecidos, marcados pela experiência, não demonstravam nada.
“Eles são convidados. Já que vieram, providenciem lugares para eles.”
O mordomo imediatamente entendeu e deu um passo à frente para conduzir Hannah e sua filha até uma mesa vazia próxima.
Mas Isla não aceitou.
Ela agarrou firmemente a camisa de Ethan, choramingando. “Não! Quero que o Ethan sente com a gente!”

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