Helena Almeida estava grávida.
Ao sair do hospital, ela pegou o celular, emocionada, e ligou para o marido, Jorge Junqueira.
— Jorge...
— Eu... eu preciso falar com você. — murmurou, apertando o exame de gravidez com as palmas das mãos suadas.
— Por acaso, também tenho um assunto para tratar com você. — Após um momento de silêncio do outro lado da linha, a voz friamente soou.
— Estarei em casa às sete.
Após dizer isso, ele desligou na sua cara de forma indiferente.
Ouvindo o som de ocupado no celular, o coração de Helena se apertou levemente.
Não sabia por quê, mas sentia que a voz de Jorge estava excepcionalmente fria naquele dia.
Dando um longo suspiro, ela deu uns tapinhas no próprio rosto, dizendo a si mesma para não pensar demais.
Jorge era o CEO do maior grupo multinacional de Arboleda, sempre com muitas preocupações, então o mau humor não era necessariamente direcionado a ela.
Sete horas da noite.
Helena guardava uma mesa cheia de pratos requintados, olhando para o relógio e contando os minutos.
Como imaginou que Jorge pudesse ter tido um dia ruim na empresa, ela preparou pessoalmente alguns de seus pratos favoritos.
Contudo, o que Helena não esperava era que Jorge, sempre tão pontual, fosse se atrasar justo hoje.
Oito horas.
A porta da mansão se abriu.
O homem de presença intimidadora entrou, tirou o sobretudo que trazia o frio da rua e o entregou displicentemente a um funcionário na entrada.
— Por que chegou tão tarde? — Helena se levantou apressada, olhando-o com um sorriso.
— Fui retido por um imprevisto.
Jorge aproximou-se segurando uma pasta e sentou-se diretamente na cadeira, cruzando as pernas com a elegância de um monarca.
— Queria falar comigo?
— Diga. — O homem não tocou no garfo, apenas a examinou com olhos profundos como um abismo, a voz gélida e indiferente.
A atmosfera gélida e tensa entre os dois fez com que Helena apertasse os dedos silenciosamente, incapaz de proferir as palavras sobre a gravidez.
— Melhor... melhor você falar primeiro. — Ela forçou um sorriso amarelo.
— A Yasmin voltou. — Jorge ficou em silêncio por um momento, antes de finalmente fixar o olhar nos olhos de Helena e falar pausadamente.
Aquelas três palavras simples fizeram com que Helena se sentisse atirada num lago congelado!
A Yasmin que Jorge mencionou era a prima de Helena, Yasmin Almeida.
Yasmin e Jorge eram amigos de infância, cresceram juntos e tinham um vínculo profundo.
Originalmente, há um ano, quem deveria ter se casado com Jorge era Yasmin.
Porém, sem que ninguém soubesse o motivo, Yasmin fugiu na véspera do casamento e desapareceu.
Para preservar a honra das famílias Junqueira e Almeida, os Almeida não tiveram escolha a não ser buscar Helena, que vivia no interior, e forçá-la a se casar com Jorge.
Helena sempre soube que Jorge não a amava, e tinha consciência de que, se Yasmin voltasse, ela teria que ceder o lugar.

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