Ah, então era assim que ele ficava quando realmente se importava com alguém.
Em um ano de casados, parecia que só hoje ela finalmente havia conseguido decifrá-lo...
— Senhora, senhorita Alves, vamos. Não queremos ter que usar a força.
A voz do segurança puxou Helena de volta de seus devaneios.
— Eu irei, mas a minha amiga... — Ela despertou do transe e lançou um sorriso ameno ao homem.
— Que papo é esse?
— Acha mesmo que vou te deixar sozinha para encarar aquela gente? — Bianca se adiantou e agarrou a mão dela.
— Eu vou com você. Afinal, sou a filha da família Alves, se o Jorge Junqueira tentar qualquer gracinha comigo, terá que medir forças com a influência da minha família! — A mulher franziu o cenho com firmeza.
— Obrigada. — Helena apertou a mão da amiga em resposta, abaixando a cabeça com um sorriso de escárnio melancólico.
...
Nos corredores do hospital.
A figura alta e imponente de Jorge, semelhante a uma árvore silenciosa, aguardava do lado de fora da porta da sala de emergência.
Os guarda-costas formavam uma barreira impenetrável com seus próprios corpos, isolando-o completamente do mundo exterior.
Helena e Bianca foram designadas a sentar nos bancos posicionados fora do perímetro de isolamento.
A uma distância de dez metros, por cima dos ombros dos seguranças, Helena enxergava nitidamente o semblante aflito do marido.
Ele baixava os olhos, checando as mensagens no celular a todo momento e, em seguida, erguia a cabeça para a porta do pronto-socorro, com as sobrancelhas tensas e o rosto macabro.
— É um romântico incorrigível mesmo.
— Há um ano, quando a Yasmin fugiu na véspera do casamento, se você não tivesse voltado para assumir o lugar de noiva, ele e toda a família Junqueira seriam o motivo de piada da cidade! — Bianca encarava o homem à frente da UTI, os cantos da boca repuxados com desprezo.

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