Davi provavelmente já sabia há muito tempo quem Clara realmente era. Mas, como já havia feito sua escolha errada, preferia insistir nela a admitir o erro e perder a compostura. Agora, com Clara admitindo tudo abertamente, sem sequer se dar ao trabalho de fingir, era como se ela o humilhasse na frente de todos. Como ele poderia não se sentir constrangido? Como poderia manter a aparência?
Clara, à beira da morte e ciente de que seus dias estavam contados, parecia ter perdido qualquer vergonha. Ela estendeu a mão magra e, com uma voz arrogante, ordenou:
— Passe o bracelete. Você já assinou os papéis para recuperar as ações. Vai querer voltar atrás agora?
Eu segurei o bracelete com firmeza, sem dizer nada, apenas olhando para ela com um olhar frio e impassível.
Vendo que eu não respondia, Clara virou a cabeça para Davi e, com a voz fraca e cheia de afetação, pediu:
— Davi… pega o bracelete para mim. Me ajuda a colocar.
Ela ergueu com dificuldade a mão que não estava conectada ao soro, estendendo-a na direção de Davi e aguardando pacientemente.
Davi lançou-me um olhar, e eu retribuí, esperando para ver se ele ainda tomaria o lado dela. Mas, como já era esperado, ele me decepcionou mais uma vez.
Com um rosto fechado e sem expressão, ele deu a volta ao pé da cama e parou diante de mim. Estendeu a mão e falou, em um tom baixo e sério:
— Kiara, me dá o bracelete.
Eu soltei uma risada fria e perguntei:
— E se ela quebrar o meu bracelete? O que você vai fazer?
— Não vai acontecer. Ela gosta tanto disso que vai cuidar bem. — Respondeu ele, com a mesma expressão insossa.
Fingi que estava relutante. Fiz uma pausa prolongada, suspirei e, após mais alguns segundos de silêncio, tirei o bracelete do meu pulso com uma lentidão calculada. Finalmente, o entreguei a Davi, como se estivesse me desfazendo de algo precioso.
O rosto de Clara se iluminou com um sorriso de vitória. Era um sorriso triunfante, cheio de arrogância.
— Davi, rápido, coloca no meu braço! — Ela insistiu, impaciente.
Davi caminhou até a cama e segurou a mão ossuda dela com delicadeza. Ele colocou o bracelete no braço dela, mas, por estar tão magra, o bracelete ficou frouxo, balançando no pulso como um anel em um dedo fino demais. Com um pequeno movimento, ele quase caiu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Traída no Altar: O Magnata Está ao Meu Lado
Poxa... Queria ler a história, já tá concluída no buenovela, porque não atualizam aqui?...