— Luca, o jantar está pronto.
Nívea colocou a comida na mesa e Luca andou lentamente. Ao ver a comida na mesa, sussurrou: — Diferente do que a tia faz.
— Prove um pouco, quem sabe seja bom. — Nívea se esforçou para manter a paciência.
Luca deu algumas mordidas e largou o garfo: — Estou cheio.
— Coma mais um pouquinho, vai ficar com fome à noite.
— Não quero. — Luca saltou da cadeira —, Quero esperar a tia voltar.
Nívea só sentiu as suas têmporas começarem a latejar. Respirou fundo: — Luca, não gosta que a mamãe faça companhia aqui?
Luca a observou com um olhar claro e direto: — Mas a tia sabe contar histórias interessantes sobre como o cérebro funciona e como o coração bate. Mamãe, você só sabe falar para perguntar quando o papai voltar.
Nívea tremeu de raiva, mas percebeu que não podia fazer nada, não conseguia pronunciar sequer uma palavra.
*
A noite passava calmamente. Luca já havia adormecido na cama.
O seu corpinho estava encolhido debaixo do cobertor estampado com imagens espaciais, e o seu rostinho parecia especialmente delicado à luz do abajur.
Nívea admirou o perfil dele e, finalmente, as conhecidas sensações gentis surgiram no fundo do seu coração. Antes dos 3 anos de idade, Luca sempre dormia junto com ela. Ela abraçava aquela bolinha gordinha, parecia um pequeno fogão. De madrugada, ele frequentemente chutava o cobertor e até mesmo chorava às vezes, o que a fazia acordar várias vezes para cobri-lo e acalmá-lo para dormir. Se Luca ficava doente ou com febre, ela passava a noite em claro.
Naquela época, apesar do cansaço físico e mental, era feliz.
Mas agora...
Nívea acenou a cabeça: — Vá lavar o rosto, a mamãe vai preparar o café da manhã.
Luca lavou o rosto rapidamente e sentou-se à mesa. Embora o café da manhã preparado pela sua mãe não tenha agradado muito o seu paladar, comeu o mais rápido que pôde.
— Mamãe, quando nós vamos?
Nívea enviou uma mensagem a Wilson, informando que já estavam prontos, e ele respondeu em seguida: — Quarto 312.
Uma hora depois, Nívea e Luca chegaram ao hospital.
Os corredores do Hospital Karolinska eram amplos e luminosos, e o ar estava impregnado com um cheiro de desinfetante. Nívea guiou Luca pela mão, seguindo as placas para procurar o quarto 312. O quarto 312 era VIP, e a porta se encontrava entreaberta. Ao se preparar para bater, Nívea escutou a voz de Dona Helena vindo de dentro do quarto, em um tom incrivelmente suave:
— Vânia, aquela mulher já deve estar chegando. Se esconda um pouco, eu vou lidar com ela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Traição, Gelo e Beijos Secretos do Ex