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Todos Esperavam Ela Cair... Até Que— romance Capítulo 4

Assim que ouviu aquelas palavras, Vanessa e Ricardo ficaram completamente perplexos. Olhando para o jeito que Ana estava vestida, parecia que mesmo longe da Família Silva, ela não passaria por dificuldades. Como poderia querer se apertar com eles e seus cinco filhos naquela casa pequena?

"Não é bem-vinda?" Ana arqueou uma sobrancelha.-

"Não, não, claro que não! Se você quer voltar, ficamos muito felizes!" Vanessa, afinal de contas, havia carregado Ana por nove meses, e é claro que queria se dar bem com sua filha biológica. "Do que você gosta? Vou ao mercado comprar algumas coisas para fazer o jantar."

"Eu não sou exigente." Ana pegou o copo e tomou outro gole. A água fervida da torneira tinha um gosto de ferrugem, algo a que ela não estava acostumada, mas não reclamou.

Ela se acostumaria com tudo ali.

Vanessa assentiu repetidamente e levantou-se rapidamente. "Vou até o mercado, você pode descansar um pouco. Lucas e os outros estão quase chegando."

"Certo." Ana levantou-se e deu uma olhada ao redor. "Não se importa se eu der uma olhada, né?"

Ricardo hesitou, mas concordou com um aceno de cabeça.

Ana começou a explorar a casa em seus sapatos de salto.

Três quartos, uma sala, uma cozinha e um banheiro.

Cada quarto era pequeno, mas pela decoração dava para saber de quem era.

O quarto principal era dos Mendes, com uma cama de casal pequena e um armário de madeira de duas portas, que parecia ter saído dos anos 80 ou 90, sem nenhuma preocupação estética.

O segundo quarto era das irmãs, com duas camas de solteiro colocadas em forma de L, e um guarda-roupa compartilhado. Havia várias caixas embaixo das camas, tornando o espaço ainda mais apertado.

O irmão mais velho era responsável, tinha poucos pertences, e durante as férias fazia bicos para ajudar nas despesas da casa, sendo praticamente um dos pilares da família.

Quanto aos pertences deixados por Sofia Silva, só o travesseiro era o mais caro da família, feito com materiais de qualidade, custando uns trezentos reais. Embaixo da cama, havia sete ou oito pares de sapatos bonitos, cada um custando não menos que quinhentos reais.

Quando foi levada pela Família Silva, Sofia Silva vestia um vestido velho e mal ajustado, tentando ganhar simpatia.

Aquele vestido, provavelmente, era da irmã.

O som metálico da porta anunciou a chegada de alguém, e Ana, ao ouvir o barulho, saiu do quarto.

A primeira a entrar foi uma jovem de pouco mais de vinte anos, com um rabo de cavalo alto e franja reta. Vestia uma camiseta simples e jeans, e seus tênis de lona brancos estavam um pouco amarelados, mas bem limpos. Mesmo com um visual simples, sua beleza se destacava, especialmente por ter traços muito parecidos com os do pai.

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