— Aos dez anos eu já havia me apaixonado à primeira vista por você.
Ada levantou-se com fluidez. Apoiando as mãos esguias nos braços da cadeira de rodas, ela se inclinou e capturou os lábios de Davis em um beijo profundo e ardente.
Davis não resistiu; ele a puxou gentilmente pela cintura, acomodando-a em seu colo.
O beijo se arrastou, sensual e cheio de promessas não ditas.
Quando os lábios finalmente se separaram e Ada roçou o rosto contra o dele, ela sussurrou de forma embriagante: — Hoje a noite é só nossa, meu amor.
As pontas das orelhas de Davis queimaram em um vermelho furioso. — Mas, eu não consigo me mexer direito...
Durante todo o longo processo de recuperação, eles haviam mantido a intimidade física em repouso absoluto.
Porém, com aquele simples beijo inflamado, Ada sentiu claramente a urgência brutal que despertara no marido.
Ela desceu o olhar de forma descarada por um instante e soltou um riso rouco. — As únicas coisas que você não pode mover são as suas pernas, não o seu...
Antes que ela pudesse completar a frase indecente, Davis a interrompeu, constrangido: — Ada Assis, você não tem vergonha na cara?
— Somos casados, por que eu deveria ter vergonha?
Ela compreendia perfeitamente as inseguranças de Davis.
Na cama, ele sempre fora o maestro impetuoso, aquele que assumia o controle absoluto para levá-la ao limite do prazer.
Ada inclinou a cabeça, aproximando os lábios da orelha dele: — Antigamente, era sempre você quem fazia todo o esforço para me enlouquecer. Que tal se hoje... eu cuidar de você?
O rosto de Davis estava fervendo.
Ele passara um ano imóvel em uma cama de hospital, e a falta de sensibilidade motora nas pernas ainda o aterrorizava; o medo de não ser o amante formidável de antes o consumia por dentro.
Mas encarando os traços deslumbrantes e venenosamente sedutores de Ada, ele tentou manter a pose: — Não quero.
— Tem certeza? — Ada provocou, movimentando os quadris levemente sobre ele.
— ...Não — respondeu Davis, a voz áspera e a testa franzida, a convicção derretendo a cada milissegundo.
— Tudo bem, se você não quer, paciência.
Ada fez menção de se levantar, ágil como uma gata: — Vou dormir. Boa noite.
No milésimo de segundo seguinte, o braço forte de Davis agarrou o pulso dela com possessividade.
Ela foi puxada com força, voltando a cair no colo dele.
— Ada... você vem me enlouquecer e não tem o mínimo de paciência para terminar o que começou?
Sem nem se importar com as roupas, ela saltou da cama enrolada em um lençol.
Isso já era tortura!
— Lembrei que tenho uma papelada importantíssima para aprovar! Vou para o escritório agora mesmo.
Ada tomou um banho a jato e se enfiou no escritório no quarto andar.
A verdade é que o isolamento romântico daqueles dias havia atrasado algumas aprovações do laboratório de aromas.
Mas a real motivação era fugir das garras insaciáveis de Davis.
Ela se recusava a aparecer no dia seguinte para buscar os filhos exibindo olheiras profundas de exaustão e pernas trêmulas.
Trancada no refúgio, Ada fez algumas ligações estratégicas e resolveu as pendências do negócio em pouco tempo.
Ao checar o relógio, percebeu que eram apenas oito da noite.
Voltar para o quarto àquela hora era assinar a própria sentença.
Entediada, Ada caminhou até as estantes luxuosas, decidida a folhear um livro qualquer para matar o tempo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Surpresa! O Bonitão que Eu Mantinha era O Príncipe Herdeiro!
Que livro maravilhoso, estou adorando e ansiosa por mais capitulos. Parabéns!...
Que livro maravilhoso....Obrigada equipe...
Quando vai atualizar?...