Todos carregavam corações pesados, oprimidos pela desolação.
Porém, como as coisas haviam chegado àquele ponto, não lhes restava escolha além de enfrentar a realidade.
Clarinda e Dimas Guerra lideravam o caminho até o quarto.
A angústia deles pesava o equivalente a chumbo.
A trajetória daquele rapaz os cortava a alma.
Mas o que realmente aterrorizava a todos era imaginar se, com a partida de Davis, Ada teria forças para continuar suportando a vida.
Ninguém estava conseguindo raciocinar com clareza, pois todos estavam totalmente tragados pelo tsunami de tristeza que acompanhava a perda.
Aqueles senhores, que passaram a vida enfrentando intempéries e testemunhando as grandes tragédias corporativas, agora caminhavam com passos vacilantes, como se os pés pesassem toneladas.
Mas, antes mesmo que conseguissem se aproximar do leito,
uma voz masculina grave e irônica — uma voz da qual estavam terrivelmente saudosos — reverberou.
— Amor, por favor, não chore mais. O quarto vai acabar inundado...
Dimas e Clarinda ficaram atônitos.
O tom da voz não era alto, mas reverberou claramente e chegou até os corredores superlotados.
Todos engoliram a respiração, imobilizados.
Até Marcelo parou de uivar. Ele arregalou os olhos e correu desesperadamente em direção à cama.
Quando chegou perto, reparou que Davis não só estava de olhos abertos, como parecia absurdamente lúcido, fixando sua atenção em Ada.
O pânico e o assombro fizeram Marcelo gritar a plenos pulmões: — Você não morreu?!
A indignação cômica do rapaz finalmente quebrou a bolha de Davis.
Com as sobrancelhas franzidas, ele cravou um olhar reprovador no cunhado: — Marcelo, você por acaso estava rezando para que eu morresse?
O cérebro de Marcelo ainda operava em câmera lenta, enquanto uma onda avassaladora de alegria tomava conta de seu peito.
Ele não apenas sobreviveu, como finalmente tinha despertado do coma; aquilo era um verdadeiro milagre da vida!
O êxtase pulsava em cada célula dele.
Mesmo radiante, ele não perdeu a oportunidade de usar seu habitual humor sarcástico: — Não é isso. Mas, sendo sincero, a sua 'ressurreição' me colocou em uma posição bem complicada com a galera ali de fora.
Logo, a horda de parentes invadiu o quarto em desespero.
Em questão de segundos, o caos virou compreensão.
Clarinda ficou exasperada e disparou: — Vocês dois, que palhaçada de mau gosto é essa?!
O problema é que os músculos não estavam 100% fortes e seus ossos tinham passado por traumas de fraturas múltiplas e estilhaços mortais.
Isso impossibilitava qualquer chance de ficar em pé, forçando-o a depender de uma cadeira de rodas por enquanto.
Os prognósticos ainda sustentavam que seria impossível recuperar o caminhar independente, e que qualquer tentativa levaria um período longo demais.
Poderia exigir poucos anos, ou até mais de uma década.
Ada já considerava tais variáveis irrisórias.
O que importava é que Davis respirava e a reconhecia, só isso já valia mais que todo o ouro do mundo.
E ela o acompanharia em sua fisioterapia e reabilitação, não importava a espera.
O dia em que ele teve alta era também a data do aniversário de Sílvio.
A recepção ocorreria no majestoso salão da Casa Antiga Ravello.
Eles evitaram divulgar grandes banquetes midiáticos, focando a celebração num círculo íntimo contendo a família Guerra, a família Barbosa e alguns aliados de ferro.
Além disso, eles também convidaram a família Carvalho, providenciando voos exclusivos para trazer Adriana Moraes e Nádia Ribeiro, que moravam na Cidade R.
O ambiente possuía um clima puramente familiar e caseiro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Surpresa! O Bonitão que Eu Mantinha era O Príncipe Herdeiro!
Que livro maravilhoso, estou adorando e ansiosa por mais capitulos. Parabéns!...
Que livro maravilhoso....Obrigada equipe...
Quando vai atualizar?...