Estela olhou para Luana, e ao vê-la completamente submissa e inexpressiva, murmurou um apressado 'sim, senhor' e desceu as escadas correndo.
Em seguida, Sebastião ligou diretamente para o hospital, ordenando de forma implacável que a médica repassasse a medicação para a paciente que aguardava na fila.
Feito isso, o peso opressor em seus ombros aliviou consideravelmente.
Ele olhou para Luana, e os olhos dela permaneceram inertes sobre ele.
Afinal, o cerco de Sebastião era absoluto. Ele detinha até mesmo o número direto da médica que ela havia agendado em segredo.
O olhar predatório de Sebastião piscou, temendo o vazio nas deduções dela. Ele logo impôs a justificativa:
— Não distorça as coisas. Eu estava preocupado com você, por isso mandei Zaqueu investigar aquela médica.
Luana continuou em silêncio.
Tudo o que Sebastião fazia não passava despercebido por ela.
A palidez e a calma dela relaxaram um pouco a tensão sombria do homem. Ele tomou com possessividade a mão gélida que pendia ao lado do corpo de Luana.
Os polegares ásperos acariciaram a pele translúcida com lentidão sádica:
— Eu amo você, Luana.
— Eu me recuso a viver mais um dia neste mundo sem você ao meu lado.
O vazio o matava. Era uma tortura infinitamente pior do que a própria morte.
— Fique tranquila. Eu arrancarei a medula compatível para o Sílvio de onde for. E quando nosso filho se recuperar, nós três voltaremos para Porto Fundo. Sei que você odeia este lugar. Eu também odeio. Mas o momento agora ainda não é propício.
Sebastião teceu sua teia de ordens e promessas.
A mente calejada de Luana, porém, congelou em apenas uma frase: 'Eu amo você, Luana, me recuso a viver mais um dia sem você'.
O abismo no coração de Luana tremeu violentamente.
Ela sempre acreditara que não era nada além de poeira descartável no império sombrio de Sebastião.
— Você... me ama mesmo?


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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