O mundo é, de fato, irônico e fascinante.
Dante sentiu que, como o melhor amigo de Sebastião, tinha a obrigação de alertá-lo:
— Sebastião, se a Luana descobrir, como você vai olhar na cara dela?
Apenas a menção do nome de Luana fez não só a mente de Sebastião mergulhar no caos, mas também descompassou sua respiração.
Pesando os riscos em sua mente, Sebastião levou um longo tempo antes de quebrar o silêncio com a voz rouca:
— Por enquanto, só posso dar um passo de cada vez... Ela nunca vai saber.
— Tudo bem. Se você já decidiu, vou tentar entrar em contato com ela de novo.
Dante ligou para a mulher ali mesmo, na frente de Sebastião:
— Alô.
— Dr. Dante, precisa de algo?
Ela sabia exatamente quem era Dante. Obviamente, tinha o número dele salvo.
— Srta. Dionísia, um amigo meu quer vê-la. Você tem tempo?
— É o pai daquela criança gravemente doente?
A voz familiar, firme e sem pressa, ecoou lentamente nos ouvidos de Sebastião.
— Sim.
Dante confirmou.
— Que seja esta noite, então. Agora não tenho tempo. Às oito da noite, no Recanto dos Ventos.
Sem esperar a resposta de Dante, a linha ficou muda.
Encontro no Recanto dos Ventos.
O sorriso que despontou nos lábios de Sebastião carregava um escárnio gélido.
O Recanto dos Ventos era exatamente o lugar onde ele a conheceu pela primeira vez.
Quando Sebastião voltou ao hospital, apenas uma pequena luminária estava acesa aos pés da cama. A luz fraca banhava os dois contornos encolhidos nos lençóis.
Com passos inaudíveis, ele se aproximou.
Sua silhueta imponente lançou uma sombra imediata sobre o rosto pálido e transparente de Luana.
As pálpebras dela tremeram. Era evidente que estava acordada, mas o vazio em sua alma a impedia de abrir os olhos e encará-lo sequer por um segundo.
Sebastião saiu do quarto. A luz com sensor de presença se apagou bruscamente, mergulhando-o em uma escuridão sem precedentes.
Sem a mais ínfima fresta de luz.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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