Seus lábios úmidos pousaram na testa dela.
Luana finalmente viu Sílvio.
Sílvio estava deitado na cama do hospital, o corpo frágil engolido pela roupa de paciente. Seus olhos estavam fundos, as bochechas haviam perdido a vivacidade de antes e, acima de tudo, não havia mais brilho em seu olhar.
Mesmo ao ver Luana, ele apenas esboçou um sorriso fraco. Tanto tempo distante, e a frieza do distanciamento se fez presente.
— Sílvio.
Luana caminhou até a beira da cama e segurou a mão dele, que repousava fora das cobertas.
A mão em sua palma era tão pequena e ossuda, como um galho seco. Tão gélida. Aquele frio perfurou o peito de Luana, dilacerando suas entranhas de tanta dor.
— Luana, como você... veio parar aqui?
Sílvio forçou os cantos da boca em uma tentativa de sorriso. Mas Luana percebeu o quão pálido e frágil ele era.
— Senti sua falta. Por isso vim. Sentiu a minha? Sílvio.
Os lábios de Luana tremeram por um longo tempo antes de conseguir formular essas palavras.
Sílvio lançou um olhar para Sebastião, logo atrás de Luana, e murmurou:
— Senti. Principalmente quando não há outras crianças para brincar comigo, eu lembro de você, Luana.
Ele não a via como mãe. Em sua memória, Luana seria para sempre a fada bonita e intocável.
— Venha. Me dê um abraço. Quero ver se você ganhou peso.
Luana estendeu os braços e envolveu Sílvio.
O sorriso nos lábios do menino se aprofundou. Ele abriu os bracinhos e se agarrou firmemente à cintura fina de Luana.
Seu rostinho esfregava-se sem parar no braço dela, como um filhotinho carente.
Luana já o havia abraçado no passado. Antes, era uma bolinha macia e gordinha. Agora, era só pele e osso.
Essa constatação foi como uma agulha fina e afiada, perfurando o mais profundo de sua alma.
A dor a fez tremer por inteiro.
Ela se controlou desesperadamente para não desabar ali mesmo.
— Sílvio, hora do soro.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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