— Quando você volta?
Sebastião avançou seu corpo dominador e capturou perfeitamente a voz masculina que vazava do outro lado da linha.
Amedrontadoramente familiar.
As sobrancelhas de Sebastião se uniram em um nó feroz.
— Não tenho certeza. Ligo para você.
Sem esperar a resposta, Luana encerrou a chamada.
— Nuno Barbosa?
A voz de Sebastião era uma sentença perigosa.
Luana o ignorou solenemente. Pegou seus cremes e começou a passá-los no rosto. Sebastião afundou as mãos nos bolsos, mordendo o lábio inferior, plantado no centro do quarto como um tirano em reflexão.
— Amanhã irei para Porto Fundo.
Não era um pedido. A decisão já estava selada.
— Nuno a procurou?
Sebastião lutou violentamente contra a ira que incendiava suas entranhas. O simples nome de Nuno o sufocava com um ciúme cego e controlador.
Luana sequer ergueu os olhos. Continuou focada em espalhar o tônico na pele, seguido de uma loção, deixando seu rosto pálido e alheio.
Apenas quando terminou, ela virou o rosto letárgico, encarando o olhar predatório de Sebastião, que não havia piscado:
— Isso não é da sua conta.
A barreira intransponível e a apatia nela arrastavam o orgulho dele para a lama.
— Luana, temos um acordo. A Dona Lemos acha que você está grávida. Se você desaparecer, não será apenas ela que suspeitará. Toda a criadagem da Mansão Lemos suspeitará de algo.
— Eu sei muito bem que meu ventre está vazio. Essa mentira é inteiramente sua. Cuide das consequências.
— O que você quer dizer com isso?
A ameaça rasgou a voz rouca de Sebastião.
— Você não quer mais ver o Sílvio?
— Quero. — Luana encarou Sebastião e a palavra caiu de seus lábios vermelhos.
Ela não queria enganá-lo, muito menos a si mesma.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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