Naquela noite, pouco depois de o carro de Benício sair do Clube Nove Céus, um veículo invadiu a pista da esquerda, jogando o carro de Benício para fora da estrada.
Benício sofreu uma concussão, mas, por milagre, salvou-se com vida. O culpado fugiu sem deixar rastros. Como o carro usado era um veículo ilegal do mercado negro, sem seguro e sem registro, a polícia não encontrou nenhuma pista, mesmo investigando o submundo. Estava claro: era uma conspiração premeditada.
Benício estava furioso. Ordenou que Vasco descobrisse a verdade. Vasco concordou superficialmente, mas por dentro, não sabia o que fazer.
Quando Vasco chegou ao Jardins do Perfume, Luana tinha acabado de voltar da empresa.
Vasco olhou para ela, querendo falar, mas as palavras travaram.
Luana sorriu com o canto dos olhos. Desde que Vasco a rejeitara na noite anterior, ela não tinha mais vontade de mostrar sua verdadeira natureza diante dele.
— Sr. Vasco, algum problema?
Luana ergueu uma sobrancelha, perguntando friamente.
Incapaz de suportar o tom gélido e a atitude distante de Luana, Vasco engoliu em seco:
— Luana, não faça isso. Pela minha amizade com Benício, eu não posso fazer aquilo.
— Já disse para não me chamar assim.
Luana não deixou margem para Vasco:
— Não temos tanta intimidade.
— Luana — disse Vasco com urgência — Benício me pediu para encontrar o culpado pelo acidente. Por isso vim te procurar.
O sorriso nos olhos de Luana aprofundou-se:
— Vasco, você tem provas? Se tiver, me algeme e me leve.
Vasco silenciou.
Após refletir por um momento, ele falou lentamente:
— Luana, agindo assim, você me deixa numa posição impossível.
Era óbvio que Vasco estava num dilema. De um lado, o irmão com quem tinha uma amizade profunda e com quem passara por situações de vida ou morte; do outro, a mulher que ele amava. Ele não queria ferir nenhum dos dois, mas eles tinham um conflito irreconciliável.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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