Luana acordou com a cabeça pesada. A brisa fresca entrava pela janela, causando um arrepio em seu peito. Levantou-se e foi até o espelho. Ao erguer os olhos, viu o desenho na omoplata.
Com a ponta dos dedos, puxou a borda e arrancou o adesivo com um som seco. *Zzzzt*.
Na noite anterior, saíra com Vasco e bebera demais; não lembrava quem havia colado aquilo nela. Massageou as têmporas e fechou os olhos, recordando flashes de um sonho onde braços fortes a envolviam. Mãos calejadas, ásperas... sentira uma leve dor no toque.
Lavou-se e desceu. Perguntou a Estela:
— Alguém veio aqui?
Estela negou:
— Ninguém. O Sr. Vasco a trouxe ontem à noite. Você não queria deixá-lo ir, então ele dormiu no sofá da sala e saiu às oito da manhã.
Foi Vasco? Mas a sensação... não parecia ele.
***
Sebastião acordou de ressaca. Sílvio abriu a porta e viu o pai destruído. Com as sobrancelhas franzidas, o menino limpava o rosto do pai com uma toalha úmida, resmungando:
— Não admira que a mamãe não te queira. Olha o estado deplorável em que você está.
Sílvio observou o queixo do pai, agora coberto por uma barba por fazer, e sentiu um aperto no peito.
— Papai, você não pode beber assim. Se você morrer de tanto beber, o que vai ser de mim?
Sebastião olhou para o filho, com os olhos vermelhos. Passou a mão nos cabelos do menino, acariciando suas têmporas — um gesto que Luana adorava e que ele adotara.
Mais cedo, João perguntara por que ele insistia em ficar com Sílvio, dizendo que o menino sofreria com ele, enquanto com Luana teria luxo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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