Alguns milhões. Para o antigo Sebastião, isso seria troco de café. Mas agora...
João sentiu um aperto no peito. Coçou a cabeça, constrangido:
— Vou ver se consigo mais com minha mãe.
João era o playboy mais famoso de Porto Fundo, nunca trabalhou e gastava como se não houvesse amanhã. Conhecendo sua natureza, a família Braga limitava rigorosamente sua mesada.
Sebastião permaneceu em silêncio.
João também se calou. Mentiu dizendo que buscaria emprestado com um amigo e saiu.
À tarde, João ligou. Disse que o amigo emprestaria, mas exigia a presença de Sebastião.
A necessidade obriga o orgulho a se curvar. Nesses dias de portas fechadas em Cidade do Trono, Sebastião sabia que o futuro seria árduo. Estava pronto para engolir qualquer humilhação para salvar Camila.
Ao chegar ao endereço indicado por João, percebeu que estava diante de seu antigo lar: a Mansão Jardins do Perfume.
A propriedade fora reformada. O pátio estava repleto de gardênias e os muros cobertos por trepadeiras viçosas.
"Alguém comprou a casa?"
Parado sob o muro, observando aquele ambiente tão familiar, sua mente foi invadida por um filme de memórias com Luana. O rosto sedutor, as lágrimas de tristeza, os gemidos suaves de prazer...
Ele fechou os olhos. Cada sorriso, cada gesto de Luana estava gravado a ferro e fogo em sua alma. A memória continuava nítida, mas a realidade era outra. Tudo mudou, menos a dor.
Uma pontada aguda atingiu seu coração. Ele queria ver o jardim, buscar vestígios do que viveram.
Sebastião entrou na sala de estar. A mobília permanecia a mesma. Perto do sofá, uma figura estava curvada, limpando.
Ao ver um homem estranho entrar, a empregada se assustou:

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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