Sebastião perguntou onde ela estava, e ela enviou o endereço.
Ao meio-dia, alguém bateu à porta. Luana abriu e viu Sílvio, vestido num terninho branco impecável, parado no corredor.
Talvez pelo longo tempo sem se verem, o olhar de Sílvio para ela carregava uma estranheza distante.
E esse olhar perfurou o coração de Luana como agulhas finas.
Ela puxou a criança para dentro, espichou a cabeça para olhar o corredor, mas não viu viva alma. Perguntou a Sílvio:
— Onde está seu pai?
— O Papai está lá embaixo. Ele disse que, assim que eu te visse, eu deveria descer e ele me levaria de volta.
Separados por tanto tempo, agora que se reencontravam, Luana não sabia o que dizer.
Apenas abraçou Sílvio, apoiando o queixo suavemente na testa dele. Um silêncio mudo, onde a atmosfera se tornava gradualmente desoladora.
A garganta de Sílvio oscilou, e ele perguntou:
— Você... é a minha mãe?
Luana fechou os olhos. Lágrimas rolaram de seus cantos, cristalinas e transparentes, como pérolas quebradas.
Vendo que Luana não respondia, Sílvio insistiu:
— Você é ou não é minha mãe?
— Você gostaria que eu fosse sua mãe?
Para sua surpresa, assim que ela devolveu a pergunta, Sílvio reagiu com impaciência:
— Claro que não! Mas o Papai disse que você é minha mãe. A Vovó disse que minha mãe morreu faz tempo, que morreu no parto. Se você é minha mãe, por que não me quis cinco anos atrás? Se você é minha mãe, por que não me reconhece agora?
A sequência de perguntas de Sílvio deixou Luana sem defesa.
Ela recuou um passo, atordoada pelo impacto.
Olhando para o rosto da criança, acariciando o redemoinho no topo da cabeça dele, sua voz tremeu:
— A mamãe nunca te rejeitou, naquela época...
Ela queria explicar.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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