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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 240

Observando as costas de Luana se afastarem, o rosto de Camila estava lívido. Ela temia o que aconteceria se Sebastião aparecesse e visse Dionísia. Ele certamente enlouqueceria.

Nos últimos cinco anos, Camila assistiu de camarote à loucura do filho.

Ele dormiu abraçado às cinzas de Luana por dois anos.

Ele deixou os cabelos ficarem brancos por ela.

Ele abandonou qualquer vaidade, enterrando-se em um trabalho árduo e monótono, dia e noite, transformando o Grupo Mendes no gigante que era hoje — uma entidade capaz de causar um terremoto em Porto Fundo com um simples espirro.

Rosalía voltou e viu Camila distraída. Pensou que a cunhada estava preocupada com a presença de Regina e tentou consolar:

— Fique tranquila, só liguei para o meu irmão. Eu não reconheço aquela mulher.

Rosalía nunca gostou de Regina.

Na família Mendes, ela era uma das poucas com algum senso moral.

Mulheres como Regina não eram bem-vindas por ninguém com o mínimo de profundidade.

— E daí se ela vier?

Ao ouvir o nome de Regina, Camila se agitou novamente:

— Nunca tive medo daquela raposa.

Antes Camila não temia Regina; agora, muito menos. Ela criou um filho poderoso. O Grupo Mendes estava sob o comando total de Sebastião. Juvêncio não apitava nada, muito menos Plínio, o bastardo de Regina.

Vendo a agitação de Camila, Rosalía mudou de assunto:

— Esqueça ela. Vamos falar de coisas boas. O que achou da minha Dionísia?

Pouco antes, Rosalía vira Camila e Dionísia no canto. Pareciam ter uma conversa séria, mas Dionísia saíra como se nada tivesse acontecido.

Os olhos de Camila pousaram em Luana, que arranjava flores em um vaso não muito longe.

— É bonita, mas...

— Mas o quê, cunhada?

A empregada trouxe frutas. Rosalía espetou uma uva com um palito e ofereceu a Camila.

— Ela é idêntica à minha nora falecida.

A frase de Camila chocou Rosalía.

Ela comeu a uva, desviando o olhar para Luana, que estava concentrada nas flores.

Afinal, Sebastião continuava sozinho e, segundo boatos, ferido de amor, cometendo atos mórbidos.

A história do sobrinho dormindo com as cinzas da esposa por dois anos já rodava Porto Fundo.

Uma pessoa normal não dorme com restos mortais, a menos que tenha enlouquecido.

Camila, claro, não sabia o que se passava na cabeça de Rosalía.

Quase na hora do jantar, Sabrino chegou. Ele tirou o sobretudo e entregou a Luana, que o pendurou no cabideiro. Ele a abraçou e beijou sua testa. Luana sorriu com os olhos para algo que ele sussurrou.

Camila observava de longe, com um gosto amargo na boca.

Ela pegou o celular para ligar para Sebastião. Tinha medo que ele voltasse de viagem e viesse direto para cá. Ver aquela cena seria o gatilho.

Imagine um homem que dorme abraçado a uma urna funerária dar de cara com uma mulher idêntica à sua falecida esposa nos braços de outro.

Camila não queria nem imaginar.

Mal a chamada completou, o toque de um celular soou do lado de fora do portão.

O som ficou mais alto.

Antes que Camila pudesse reagir, a silhueta imponente de Sebastião refletiu no vidro da entrada.

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