Nara voltou e transmitiu o recado de Benito para Luana, que permaneceu em silêncio.
Luana não estava disposta a ver Sebastião.
A cooperação entre o Grupo Mendes e o Grupo Amizade, naturalmente, foi para a gaveta — ou melhor, para o lixo.
Sabrino compreendeu Luana e não a pressionou; sem o apoio de Sebastião, eles teriam que buscar outros parceiros.
À noite, Sabrino levou Luana para encontrar clientes.
A abstinência de nicotina atacou. Como não gostava de fumar na frente de estranhos, Luana pegou o maço e saiu do camarote.
Acendeu um cigarro e parou no fim do corredor.
Sob a luz, sua pele excessivamente pálida parecia transparente como uma boneca de vidro.
Os lábios vermelhos mordiam levemente o cigarro.
Usava um top preto tomara que caia e uma jaqueta azul de cintura alta, expondo uma cintura fina que se tornou a paisagem mais bela do corredor, atraindo olhares.
Sabrino saiu para procurá-la.
Ao erguer os olhos, viu a silhueta graciosa de Luana na penumbra. Sorriu, caminhou até ela e abraçou suavemente sua cintura.
— O que houve? — perguntou ele com ternura.
Luana ajeitou os cabelos longos e cacheados sobre o ombro, tragou o cigarro e disse:
— Nada. Só achei lá dentro sufocante, queria respirar um pouco.
A voz de Sabrino tornou-se ainda mais suave:
— Você precisa se readaptar à vida aqui, nós...
A frase foi cortada.
Sabrino olhou para frente e seu olhar congelou.
Instintivamente, ele apertou Luana em seus braços e a girou levemente.
Enquanto Luana tentava entender o movimento brusco, ouviu duas palavras serem cuspidas da garganta do homem que a abraçava:
— Primo.
A palavra "primo" fez os nervos de Luana se retesarem violentamente.
Ela sentiu como se dois lasers quentes perfurassem suas costas.
Até sua respiração parou.
Ela permitiu que Sabrino a segurasse, imóvel como uma estátua.
Atrás dela, Sebastião, que havia se aproximado sem ser notado, parou.
Seu olhar fixou-se longamente na mulher nos braços de Sabrino.
Depois de um tempo que pareceu uma eternidade, ele perguntou, com os lábios repuxados em um sorriso sem humor:
Estendeu a mão e tirou a bituca dos dedos dela.
Seus dedos, no entanto, roçaram deliberadamente a palma da mão dela, um toque que queimou mais que fogo.
Luana estremeceu levemente.
A cena não passou despercebida pelos olhos de águia de Sebastião.
O sorriso em seus lábios se aprofundou, perigosamente brilhante, enquanto explicava seu ato abrupto:
— Seria uma pena se o cigarro queimasse uma bela mulher. Sabrino, proteger a beleza é a essência de um cavalheiro.
Dizendo isso, Sebastião levou o cigarro da mulher à própria boca.
Tragou profundamente.
Depois, deixou o cigarro cair de seus dedos e o esmagou com a sola do sapato.
Cinzas caíram pelo corredor.
Sua voz magnética explodiu no ouvido de Luana:
— O amor não correspondido embranquece a alma e os cabelos. Sabrino, já vou indo.
Sebastião se afastou.
Benito, que seguia logo atrás, estava atônito com a série de ações bizarras do Sr. Sebastião. Pegar o cigarro daquela mulher? Ele enlouqueceu de vez?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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