Era como se o firmamento tivesse desabado sobre suas cabeças.
O coração de Nuno parou por um segundo, o ar lhe faltou nos pulmões.
Seu carro subiu a estrada sinuosa da montanha.
À frente, na lama revolvida, duas marcas profundas de pneus se estendiam em direção ao abismo.
No final do rastro, a terra estava revirada de forma caótica, provando que o motorista havia tentado uma manobra desesperada antes de cair.
Se não fosse isso, as marcas não seriam tão profundas.
A chuva caía impiedosa, lavando o asfalto e levando a sujeira para debaixo das rodas do Cayenne preto estacionado ali.
As portas do Cayenne estavam escancaradas, as luzes internas acesas, mas o veículo estava vazio.
Nuno desceu do carro e olhou para os outros veículos parados atrás do Porsche.
Nesse momento, vozes surgiram em meio ao temporal.
Ele ergueu a cabeça e viu vultos emergindo da chuva.
À frente de todos estava Sebastião.
Alguém tentava segurar um guarda-chuva sobre ele, mas Sebastião andava tão rápido que a proteção era inútil.
A chuva encharcava seu terno cinza, tornando o tecido quase preto.
Ao ver o grupo subindo apressado pela trilha do penhasco, Nuno desviou o olhar para as marcas de pneus que a lama quase apagava.
Uma compreensão terrível atravessou sua mente.
Ele avançou contra Sebastião, gritando com voz rouca:
— A Luana sofreu um acidente, não foi?
A chuva escorria pelo rosto de Sebastião, pingando de seus cílios longos.
Seus lábios estavam pressionados numa linha branca, sem sangue.
Ele nem sequer olhou para Nuno; apenas estendeu a mão para afastá-lo, como se fosse um inseto.
Cego pela fúria e pela certeza de que Luana estava em perigo, Nuno desferiu um soco brutal no peito de Sebastião.
Sebastião, imerso em um luto profundo e paralisante, não esperava o golpe.
O impacto o fez cambalear.
Ele caiu de joelhos na lama fria.
— O senhor está bem, Sr. Sebastião? — gritou o subordinado com o guarda-chuva.
Ele correu para ajudar Sebastião a se levantar, tentando protegê-lo da tempestade.
Os seguranças, vendo o patrão ser agredido, reagiram como se tivessem tocado em uma ferida aberta.
Sem perguntar nada, partiram para cima de Nuno.
Nuno não teve chance contra a superioridade numérica e logo foi derrubado, sendo espancado no chão.
Quando ele finalmente suportou a dor e se arrastou para ficar de pé, Sebastião já estava dentro do Cayenne.
O carro desapareceu na chuva, seguido pela frota de seguranças.
Eles enfrentaram o vento, a chuva e os espinhos da mata fechada, mas não encontraram nada no local da queda.
O veículo havia desaparecido.
Era um desfecho que Sebastião se recusava a aceitar.
Viva, ele a queria de volta; morta, ele exigia o corpo.
Sebastião subiu de volta com seus homens e não esperava encontrar Nuno, muito menos levar um soco dele.
Nuno achava que ele tinha forçado Luana a cair.
Mas a verdade era que a pessoa que mais desejava que ela vivesse neste mundo era ele, Sebastião.
Sentado no carro, com os olhos fechados, os cílios de Sebastião tremiam incessantemente, traindo o pavor que o consumia por dentro.
Eles acionaram uma equipe de busca e salvamento profissional.
A equipe fez uma varredura completa na direção da queda.
Após metade da noite de buscas, finalmente encontraram os destroços do veículo no meio da encosta da montanha.
O carro havia explodido no momento do impacto.
Não houve sobreviventes.
O único corpo feminino encontrado estava carbonizado, transformado em cinzas e ossos.
Sob a luz fria dos holofotes, Sebastião encarou aquele corpo irreconhecível.
Seu olhar era tão gélido que poderia congelar o inferno, e em seu rosto, uma tempestade muito pior do que a da natureza estava prestes a desabar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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