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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 221

Sebastião não se moveu, tampouco pronunciou uma palavra.

Momentos depois, ele retirou outro cigarro do maço.

Camila arrancou o cigarro de seus lábios novamente e o arremessou ao chão.

A cena se repetiu três vezes.

Incapaz de deter Sebastião, foi Camila quem acabou explodindo primeiro:

— Que loucura é essa?

— Se você se importa tanto com ela, por que esperou as coisas chegarem a esse ponto irreversível para torturar a si mesmo?

Sebastião continuou a ignorá-la.

Ele pegou mais um cigarro e o prendeu entre os lábios.

Desta vez, Camila não o impediu, permitindo que ele tragasse e soltasse a fumaça com movimentos de uma elegância perturbadora.

Vendo que Sebastião não lhe dava atenção, Camila perdeu o controle.

Ela agarrou o colarinho dele e rugiu, com a voz trêmula:

— Todos dizem que Sebastião Mendes é onipotente, que pode fazer chover em Porto Fundo.

— Então mostre para mim!

— Faça o impossível acontecer, como fez anos atrás.

Enquanto falava, Camila não conseguiu conter as lágrimas.

Ela soluçava convulsivamente:

— Naquele ano, quando seu pai foi embora com aquela maldita, passamos por um inferno, mas sobrevivemos.

— Sebastião, tenha coragem e traga minha nora de volta.

— Caso contrário, eu morro bem aqui na sua frente.

Dizendo isso, Camila fez menção de se atirar contra a parede.

Camila não queria realmente bater a cabeça; ela ainda não tinha vivido o suficiente.

Aquela encenação era apenas uma medida desesperada para coagir Sebastião a tirar Luana da prisão.

Pelo canto do olho, ela notou que Sebastião permanecia sentado, imóvel e indiferente.

Prestes a colidir com a parede, ela freou os passos bruscamente.

Os lábios finos de Sebastião se curvaram em um arco gélido, assistindo à performance da mãe com absoluto escárnio.

Camila virou o rosto e, ao encontrar o olhar de zombaria do filho, sentiu o constrangimento queimar sua face:

— Você deseja tanto assim a morte da sua mãe?

Desta vez, Sebastião quebrou o silêncio, seus lábios se movendo devagar:

— Para alguém que está determinada a morrer, como você sugere que eu a salve?

Ele não era Deus para estalar os dedos e fazer o tempo retroceder ao ponto em que nada havia acontecido.

Camila também entendia a gravidade da situação.

— Se ela não quis a criança, por que eu haveria de querer?

Ao ouvir as palavras do filho, as têmporas de Camila latejaram violentamente:

— Que absurdo é esse que você está falando?

— Sílvio é seu sangue, seu filho legítimo.

— Amanhã mandarei Benito levá-lo embora.

Assim que a voz de Sebastião caiu, o rosto de Camila se encheu de uma aura ameaçadora:

— Você não ousaria.

Camila mal podia acreditar que aquelas palavras tinham saído da boca de seu próprio filho.

Soava infantil, ridículo ao extremo, como se ele estivesse fazendo uma vingança pessoal contra Luana.

Sebastião encarou Camila com uma expressão indecifrável e abriu um sorriso superficial:

— Se Luana morrer, não há necessidade de ele continuar vivo.

Ele desapareceria junto com o filho.

Sebastião disse isso com uma leveza assustadora.

Pegou o paletó, vestiu-o e, enquanto abotoava o terno com calma, caminhou em direção à saída.

Uma rajada de vento cortante invadiu o ambiente vinda de fora.

O frio perfurante parecia penetrar em cada fresta dos ossos de Camila, fazendo-a trincar os dentes e estremecer.

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