— Isso foi parte do pagamento que o Sebastião me deu. Claro, não foi só isso, teve muito mais...
Fernanda não hesitou em enfiar a faca ainda mais fundo na ferida aberta de Luana.
Luana tapou os ouvidos, fugindo dali quase em desespero.
Ela não queria ouvir mais nada, não tinha coragem para suportar mais nenhuma palavra.
A imaginação fora bela, mas a realidade era feia e sórdida.
Era tarde da noite, a rua estava deserta.
A silhueta de Luana vagava desolada.
A chuva caía fina e incessante, molhando seus ombros, encharcando seus cabelos, seu corpo e seu coração.
Ela caminhava tropeçando, como uma morta-viva.
O celular vibrava e tocava no bolso, mas ela parecia não ouvir.
Fora da Mansão Ramos, um Cayenne preto estava estacionado no meio-fio.
Dentro do carro, o homem tragava um cigarro, segurando-o entre os dedos.
De repente, pelo canto do olho, ele vislumbrou aquele vulto surgindo diante dos limpadores de para-brisa.
Ele apagou o cigarro, jogou-o pela janela e desceu imediatamente, caminhando rápido em direção a ela.
— Luana.
Ele a chamou suavemente.
Ele estava esperando ali há muito tempo, ligara inúmeras vezes, mas Luana não atendera.
Quando já não sabia mais o que fazer, viu Luana voltando.
Como se não o ouvisse, Luana continuou a dar passos mecânicos para frente.
Percebendo que algo estava errado, o homem estendeu a mão e a segurou.
Luana virou a cabeça lentamente.
O que viu foi o rosto ansioso de Sebastião.
Sua expressão vacilou, as pálpebras tremeram.
A luz fraca do poste iluminava seu rosto, deixando-a ainda mais pálida.
O coração de Sebastião apertou.
— O que houve com você? O que aconteceu?
Luana olhou para ele, o olhar perdido e disperso.
Ela tentou soltar a mão grande que apertava seu braço.
Talvez por sentir que não conseguiria se soltar, uma onda de irritação passou pelos olhos molhados de chuva de Luana.
Seus lábios pálidos proferiram uma ordem:
— Me solta.
Mas, vendo-a naquele estado, Sebastião jamais a soltaria.
Então, agarrada a ele, seu choro histérico foi aos poucos abafado pelo som da chuva lá fora.
Achando que Luana estava assustada com seu grito, Sebastião sentiu um remorso profundo.
Ele beijou a testa dela e disse com o coração doendo:
— Luana, assim que amanhecer, nós vamos nos casar de novo.
Ele não queria mais passar por aquele tormento; queria estar com ela a cada minuto, não queria se separar nunca mais.
Não sabia se Luana tinha ouvido suas palavras, mas ela se acalmou.
Os dois ficaram abraçados, rosto colado ao rosto.
Luana piscou os olhos, encarando Sebastião fixamente.
Seus dedos acariciaram a bochecha dele e seus lábios vermelhos se abriram:
— Sebastião... Sebastião, na verdade...
Luana abriu a própria roupa, um sorriso etéreo curvando seus lábios.
— Eu também tenho curvas.
Ela pegou a mão de Sebastião e a pressionou contra si.
Sob a ponta dos dedos, onde o olhar de Sebastião pousou, a pele era alva com tons rosados.
Especialmente seus lábios úmidos e a luz fragmentada em suas pupilas fizeram o coração de Sebastião oscilar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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