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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 190

A maior e mais deslumbrante mansão da orla marítima exibia sua imponência.

A campainha tocou, a porta se abriu.

Luana entrou sem hesitar.

A mulher lá dentro — Fernanda — ao ver quem era, mudou a expressão de surpresa para uma calma calculada.

Ergueu uma sobrancelha:

— Algum problema?

Claramente, Fernanda sabia quem era Luana.

Talvez já esperasse essa visita.

Por isso, permanecia inabalável, fingindo tranquilidade.

Luana olhou ao redor e não viu mais ninguém na sala.

Foi direto ao ponto:

— A Srta. Fernanda deve me conhecer e saber por que estou aqui. Esta mansão é propriedade do meu pai. Faça o favor de sair imediatamente.

Fernanda lançou um olhar de desdém e bufou:

— Você não tem modos mesmo. Imagino que já saiba da minha relação com seu pai. Esta casa foi deixada para mim por ele, em vida. Por que eu deveria sair?

Luana estreitou os olhos:

— Já vi gente sem vergonha, mas nunca vi uma mulher tão descarada quanto você.

Luana bateu palmas duas vezes.

Imediatamente, dois vultos negros entraram.

Sem dizer nada, os seguranças começaram a pegar os objetos da mansão e atirá-los para fora.

O som de coisas quebrando era ensurdecedor, um estrondo após o outro.

Fernanda, vendo a cena, correu para tentar impedir.

Mas a força dos homens era bruta; ela não tinha chance.

Furiosa, ela gritou para Luana:

— Que direito você tem? Quem você pensa que é para fazer isso comigo?

Luana a ignorou, parada na entrada com os braços cruzados.

Fernanda avançou, histérica:

— Luana, vou chamar meu advogado!

Luana abriu as mãos, indiferente, e soltou duas palavras:

Disse a Fernanda, com voz cortante:

— Mesmo que seja assim, o que isso muda? O que você é, Fernanda? Apenas uma mercadoria que vendia o corpo. Meu pai estava doente, confuso, foi enfeitiçado por você. Só por isso esse testamento existe.

Fernanda gargalhou.

Bateu palmas e riu até as lágrimas rolarem:

— Luana, sabe o que seu pai me disse uma vez?

— Ele disse que sua mãe era uma mulher vulgar. Ele a odiava. Se houvesse outra vida, ele jamais ficaria com ela. Na verdade, eu sei que ele a amava, mas era um amor frustrado. Olhe para mim.

Fernanda apontou para o próprio rosto:

— Olhe bem. Não sou parecida com sua mãe?

Luana encarou o rosto jovial de Fernanda.

Com o aviso, Luana percebeu de repente que o canto dos olhos daquela mulher realmente lembrava os de sua mãe.

Lembrou-se do carinho do pai pela mãe, das cenas de amor inseparável.

Quando a mãe morreu, o pai ficou diante do caixão, imóvel por um dia e uma noite.

Todos se comoveram com a devoção dele.

Mas era tudo falso?

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