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Sr. Sebastião, Tarde Demais romance Capítulo 170

— Resolver? — Sebastião repetiu, incrédulo. — Como? Arrancando o resto do cabelo dela? Ou matando outro bebê?

Camila vacilou, como se tivesse levado um tapa.

Ela trincou os dentes:

— Foi ela quem te contou?

Sebastião sorriu, um sorriso amargo.

— Mãe, ela não precisou dizer nada. Eu tenho olhos. Eu mesmo vou lidar com a Vanessa. Não quero que a senhora se envolva mais nisso.

Camila tentou retrucar, mas Sebastião a ignorou e entrou no quarto.

Camila ficou olhando para a porta fechada, tremendo de raiva.

Dentro do quarto, Luana beijava a mãozinha de Sílvio.

Seus olhos estavam fixos no rosto corado da criança.

Ela nem pareceu notar a entrada dele.

Sebastião suspirou, as mãos nos bolsos, e caminhou até ela.

Diante do silêncio dela, ele sentou-se na cadeira oposta.

Ele pensou em fumar para acalmar os nervos, mas ao ver o filho, desistiu.

O silêncio era pesado, sufocante.

Apenas a respiração de Sílvio preenchia o vazio.

— Eu vou levar o menino.

A voz de Luana era suave, mas carregada de uma determinação inabalável.

Não era um pedido.

Era um aviso.

Sebastião ficou em silêncio.

Ele se levantou bruscamente e foi para a varanda.

O barulho da cadeira assustou Sílvio, que estremeceu no sono.

Depois de um tempo, Sebastião voltou, cheirando a tabaco.

Luana levantou-se e abriu a janela para dispersar o cheiro.

Ela não olhou para ele nem por um segundo.

Sebastião sentiu a indiferença dela e sua irritação cresceu.

Sua voz, rouca pelo cigarro, quebrou o silêncio:

— Luana, a Vanessa é digna de pena. Ela já... perdeu tudo...

Sebastião estava, claramente, cedendo.

Ele nunca implorava a ninguém.

Mas Luana permaneceu impassível diante da súplica dele.

Ela só queria distância daquela gente perigosa.

Vanessa, Eliana... ela não queria ver ninguém.

— Sebastião, faça o que quiser. Eu só quero levar o Sílvio.

Vendo a obstinação de Luana, o sorriso de Sebastião congelou.

Um brilho cruel passou por seus olhos.

— O menino não sai daqui.

— Ótimo. Então nos vemos no tribunal.

Luana era uma rocha.

Fria e inquebrável.

Sebastião, perdendo a paciência, saiu do quarto batendo a porta com violência.

O estrondo fez o pequeno corpo de Sílvio tremer mais uma vez.

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