Sob a expectativa sufocante de todos, Sebastião apenas sacou um cigarro do bolso.
Lina, aninhada em seus braços, percebeu a deixa e prontamente acendeu o isqueiro, levando a chama até ele.
Sebastião não recusou.
Baixou o olhar, indiferente, e acendeu o cigarro na chama que dançava diante dele.
A fumaça branca borrou os contornos de seu rosto, acrescentando uma aura de perigo à sua beleza estonteante.
Lina sentiu um frio que penetrava até os ossos.
Ela desligou o isqueiro e estava prestes a se retirar discretamente, quando a voz gélida de Sebastião a deteve:
— Aonde pensa que vai?
— Venha cá.
Lina lançou um olhar para o rosto de Luana, pálido como um fantasma, e soltou uma risada desconcertada:
— Sr. Sebastião, a sua senhora está aqui, talvez fosse melhor...
Antes que ela pudesse terminar, Sebastião a cortou com rispidez:
— Que senhora? É apenas uma ex-mulher.
*Ex-mulher também foi mulher um dia, não é?*, pensou ela.
Lina não ousava sair, mas também tinha medo de se aproximar.
No entanto, Sebastião estendeu o braço e enlaçou sua cintura fina.
Sem aviso prévio, ele a puxou contra si, colando seus corpos de forma íntima.
O ar ficou impregnado com o cheiro de pólvora prestes a explodir.
Ninguém ousava sequer respirar.
— Luana, vamos embora.
Nuno não suportava vê-la ser humilhada daquela forma.
Ele avançou e segurou a mão dela, tentando levá-la dali.
Mas Luana se soltou bruscamente.
Ela deu alguns passos à frente, agarrou o cabelo de Lina e a puxou para trás com toda a força.
Lina gritou de dor e foi arremessada para longe.
*Baque surdo.*
Lina caiu de qualquer jeito no chão.
A minissaia subiu, expondo sua roupa íntima cor-de-rosa.
As outras mulheres na sala não contiveram risinhos de escárnio.
Luana nem sequer olhou para Lina.
Permaneceu ereta diante de Sebastião, reprimindo a fúria que queimava em seu peito, e falou com uma voz enganosamente suave:
— Sebastião, ex-mulher ainda tem seus direitos.
— Mesmo que não tenhamos mais nada, ainda sou a mãe do seu filho.
Com seu um metro e noventa de altura, sua presença emanava uma pressão sufocante.
Sem sequer olhar para Luana, ele passou por ela, ignorando-a completamente.
Vendo Sebastião partir, Luana lutou para se soltar dos braços de Nuno.
— Sebastião! — gritou ela, e sem pensar duas vezes, correu atrás dele.
— Luana...
Nuno ia correr atrás dela, mas teve o caminho bloqueado por João.
João provocou:
— Onde você pensa que vai se meter? A dívida de duzentos milhões não é problema suficiente para você?
Ao ouvir isso, o olhar de Nuno mudou, e ele perguntou com frieza:
— Foi você quem mandou armarem para cima de mim no jogo?
João riu, com uma crueldade na voz:
— Se eu tivesse mandado alguém, acha mesmo que seriam apenas duzentos milhões?
— Eu teria tirado um bilhão, no mínimo, ou não estaria honrando o nome de Sebastião.
Hélder aproximou-se, com um cigarro no canto da boca e um tom de zombaria:
— Nuno, você não passa de um estorvo.
— Isso é jogo de casal, que direito você tem de se intrometer?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Sr. Sebastião, Tarde Demais
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