— O que foi que eu fiz de errado?
— Foi você que não cumpriu as cláusulas do nosso contrato. — Sabrina Batista mal havia se deitado e já se sentou de novo.
— E em qual cláusula está escrito que eu não posso dormir com você? — Henrique Ramos sentou-se na beira da cama.
Sabrina Batista ficou sem palavras.
De fato, não havia nenhuma linha proibindo que dormissem juntos, mas estava bem claro que o segundo casamento deles era regido por um contrato.
Um casamento por contrato não deveria envolver sentimentos; era pura e simplesmente uma parceria.
— O contrato não apenas omite que não podemos dormir juntos, como também não diz que estamos isentos de cumprir nossos deveres conjugais.
O semblante de Henrique Ramos estava relaxado, carregando um tom sugestivo: — Mas para isso, precisamos de clima e vontade. Como você está preocupada com a Família Couto agora, eu posso esperar.
Da última vez, aproveitando a oportunidade para lidar com a Família Macedo, a impaciência dele acabou resultando naquele acidente.
Não houve nenhum clima romântico, apenas a libertação de desejos reprimidos.
Ele conhecia cada centímetro do corpo de Sabrina Batista.
Por isso, para ela, embora a noite tivesse sido um absurdo inesperado, foi impossível não se entregar àquele torvelinho.
— Já é tarde. Vamos dormir.
Sabrina Batista ignorou a provocação dele.
Assim que a questão da Família Couto fosse resolvida, todo o seu foco estaria voltado para se divorciar de Henrique Ramos e ir embora levando a Lelê.
A vida aparentemente pacata contrastava de forma brutal com o caos intrincado em seu coração.
No quarto silencioso, o som suave e ritmado da respiração de ambos começou a preencher o ambiente.
Naquela mesma noite, Sabrina Batista teve um sonho. Sonhou com a festa de um ano de a Lelê; ela havia reservado um restaurante e convidado Oceana Reis para comemorar.
Inesperadamente, Henrique Ramos apareceu sem ser convidado.
Para sua surpresa, a Lelê o chamou diretamente de “Papai” e se jogou em seus braços, pedindo colo.
Acompanhando Henrique Ramos, estava toda a Família Ramos. Cada um havia trazido um presente de aniversário para a Lelê, todos de valor inestimável.
A Família Ramos sentou-se à mesa para discutir com ela sobre quem deveria ficar com a guarda, argumentando o que seria melhor para a Lelê.
Qualquer uma daquelas joias presenteadas custava mais do que Sabrina Batista poderia pagar em uma vida inteira.
Além disso, a beleza estonteante de Ricardo Carneiro, o homem que o havia retirado, deixara nela uma forte impressão.
— O senhor Carneiro o levou? — Sabrina Batista entendeu imediatamente o que havia acontecido e sorriu, pedindo desculpas. — Perdão, acho que houve um engano da minha parte. Desculpe o incômodo.
Ela segurou a bolsa e deu meia-volta. Sem conseguir sequer esperar chegar ao carro, ligou para Ricardo Carneiro.
Ninguém atendeu a ligação.
Antes que ela pudesse tentar de novo, seu telefone tocou; era Linda.
— Senhorita Batista, o Presidente Carneiro está pedindo para você vir correndo para a empresa.
— Entendido. Peça ao departamento jurídico para registrar um boletim de ocorrência sobre a perda do carimbo, e solicite a confecção de um novo imediatamente. Avise a matriz também. — Sabrina Batista apertou o botão do elevador para o estacionamento.
— O carimbo oficial sumiu? — Linda puxou o ar, chocada.
— Sim, vá depressa e notifique todos os departamentos.
Sabrina Batista entrou no elevador, desligou o telefone e dirigiu direto para a empresa.
Embora o carimbo estivesse nas mãos de Ricardo Carneiro, para confeccionar um novo, era necessário seguir o protocolo de perda e invalidar o antigo.

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