— Não me importa de quem seja — rebateu Ricardo Carneiro —, a Sabrina Batista alugou para mim e eu não vou embora.
Dizendo isso, ele se levantou e caminhou em direção ao quarto ensolarado à sua direita: — Vou ficar neste quarto.
Ele entrou e bateu a porta com força, trancando-a em seguida.
— Esta é a minha casa e eu não deixo você ficar aqui!
Mariana Ramos correu atrás dele e esmurrou a porta duas vezes.
Do lado de dentro, Ricardo Carneiro fingiu não ouvir, ignorando-a.
Mariana Ramos decidiu suportar a situação por aquela noite, mas no dia seguinte, depois ia dar um jeito de expulsar o Ricardo Carneiro de lá de qualquer jeito!
——
Ao anoitecer, o vento começou a soprar.
Julia estava estendendo as fraldas e roupinhas da Lelê na área de serviço, alisando e esticando cada peça com cuidado.
Sabrina Batista deu uma volta pela sala, mas não notou nada fora do comum.
Ela sentou-se com a Lelê no sofá: — Julia, recebemos alguma visita em casa hoje?
— Hã? — Julia paralisou por um instante e demorou alguns segundos para responder rapidamente. — Não, senhora. Por que a pergunta repentina?
Sabrina Batista balançou a cabeça. Talvez estivesse pensando demais.
Aquele fio de cabelo deveria ser de Julia ou de Kiara, e por acaso era um pouco encaracolado. Apenas isso.
— Sabrina, o que você quer jantar hoje? Vou começar a preparar.
Ouvindo a conversa, Kiara apressou-se em se aproximar para mudar de assunto.
— Qualquer coisa. Não sou exigente.
Sabrina Batista sorriu para Kiara e jogou o fio de cabelo no lixo.
Ao notar esse pequeno gesto, um suor frio escorreu pelas costas de Julia.
Da última vez, logo após a saída de Daniela Vieira e Mariana Ramos, ela havia inspecionado a Lelê minuciosamente.
Chegou até a borrifar um pouco de repelente na menina, com medo de que o cheiro dos cosméticos de Daniela Vieira e das outras ficasse impregnado e fosse descoberto.
Hoje, como Sabrina Batista voltou de repente, ela não teve tempo de verificar, e um deslize acabou acontecendo.
— Senhora, dê a Lelê para mim. Descanse um pouco.
Julia terminou de pendurar as fraldas, aproximou-se e pegou a Lelê dos braços de Sabrina Batista.
Esqueça. Ela mesma iria lá no dia seguinte.
Passos soaram do lado de fora. Ela abaixou o celular e ergueu os olhos para a porta.
Henrique Ramos abriu a porta e entrou a passos lentos e suaves.
— Por que ainda não está dormindo?
Ele trazia um cobertor fino cinza-esfumaçado nas mãos, indicando que pretendia dormir ali.
Dormir no quarto dela havia se tornado um "hábito" não oficial entre eles.
Na maioria das vezes, Henrique Ramos só ia para lá depois que ela já tinha adormecido.
De manhã, quando Sabrina Batista acordava e percebia que a Lelê não estava ao seu lado, e encontrava aquele cobertor fino na cama, sabia que ele tinha passado a noite ali.
— Vou dormir agora.
Sabrina Batista deitou-se novamente e puxou a Lelê mais para perto de si.
— O relógio biológico da Lelê está ótimo agora, então... não precisa mais vir dormir aqui de agora em diante.
Henrique Ramos parou por um instante o movimento de arrumar os travesseiros: — Você me usa e depois me dispensa. Ninguém faz isso tão bem quanto você.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!