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Senhor Ramos, ele não é seu filho! romance Capítulo 665

— Entre.

Sabrina Batista bateu na porta do escritório e a voz de Felipe Carneiro soou do outro lado.

Ela abriu a porta e entrou, assentindo levemente.

— Presidente Carneiro.

Ao ver que era ela, Felipe Carneiro ajeitou-se na cadeira.

— Secretária Batista. Prefiro continuar chamando-a assim.

Anteriormente, os dois haviam se cruzado várias vezes em jantares de negócios na Capital, mas as interações sempre se limitaram a cumprimentos superficiais.

Essa mudança abrupta, de adversários para chefe e subordinada, era realmente difícil de assimilar.

— O Presidente Carneiro pode me chamar da forma que achar melhor.

Sabrina Batista não se importava com o título.

Embora tivesse começado como uma simples secretária, Felipe Carneiro não ousava subestimá-la.

Afinal, por conta da relação dela com Henrique Ramos...

— A parceria com a Família Couto para o Projeto Sudeste já é uma certeza. Se a Srta. Batista tem dúvidas sobre isso, peço que supere-as; não podemos prejudicar os interesses da empresa.

O tom de Felipe Carneiro não era rude, mas a postura era implacável.

— Ricardo Carneiro levou o carimbo da empresa. Vá até ele, converse e resolva isso. Precisamos assinar o contrato com a Família Couto o mais rápido possível.

Ele estava, na verdade, mandando Sabrina Batista convencer Ricardo Carneiro a aceitar a parceria.

Mas Sabrina Batista não queria se meter nos problemas daquela família.

— Presidente Carneiro, o Senhor Carneiro foi treinado e guiado pessoalmente por você. Se nem você conseguiu convencê-lo, eu, uma simples subordinada, dificilmente vou ter uma solução melhor.

Felipe Carneiro soltou um longo suspiro.

— Ele pagou uma fortuna para tirá-la da Quinto Andar. Você mal chegou e já tirou licença-maternidade, e agora ele ainda fez uma exceção e deixou você trabalhar meio período. Para ele, você é muito mais do que apenas uma subordinada.

Sabrina Batista franziu a testa.

— Eu...

— Ele a trata tão bem, mas, se ele for embora, não haverá ninguém para protegê-la na empresa.

A pressão imposta por Felipe Carneiro era avassaladora.

Quando Ricardo Carneiro teve seu ataque de raiva, com certeza não pensou no fato de que estava abandonando Sabrina Batista sozinha na Pipefy.

— Presidente Carneiro, eu tenho um contrato assinado com a empresa. Tanto o período de amamentação quanto a minha jornada de meio período são cláusulas especiais acordadas nesse contrato.

— Você já deve ter chegado em casa a essa hora. Me ligou porque aconteceu alguma coisa?

— Onde você largou o carimbo da empresa? — indagou Sabrina Batista.

Houve um momento de silêncio do outro lado da linha, seguido de um sobressalto de Ricardo Carneiro.

— Putz! Acho que deixei em cima da mesa na sala de espera do aeroporto!

Sabrina Batista massageou as têmporas.

— Que sorte a sua não estar planejando assinar o contrato. Se fosse fechar negócio, teria arruinado tudo.

— Perdeu, perdeu. É até melhor não assinar nada. — Ricardo Carneiro usou a desculpa para se livrar do problema e logo perguntou: — Mas para que você quer o carimbo?

Sabrina Batista minimizou o problema:

— A Pipefy vai fazer a parceria com a Família Couto e precisa do carimbo para assinar o contrato. A sua saída não vai impedi-los de assinar.

— Espera aí. — Ricardo Carneiro demorou um instante para raciocinar. — Eu fui embora, e esse problema do contrato caiu no seu colo?

Sabrina Batista concordou brevemente.

— Eu estou indo para o aeroporto recuperar o carimbo.

— Você não pode deixar que assinem esse contrato! — exclamou Ricardo Carneiro, num tom de desespero. — A Família Couto está vindo justamente por sua causa! Se você assinar isso, sabe-se lá o inferno que vão fazer você passar!

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