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Senhor Ramos, ele não é seu filho! romance Capítulo 648

Uma hora mais tarde, na sede deslumbrante da Pipefy.

— Senhorita Batista, o Senhor Carneiro solicitou que, assim que colocasse os pés no andar, a senhora se dirigisse imediatamente à sala de conferências para uma reunião executiva.

Linda, a secretária inexperiente escolhida especialmente por Sabrina Batista, aproximou-se segurando uma pilha grossa de pastas no peito.

— Estes são arquivos cruciais para o desdobramento do novo projeto, a senhora precisará examiná-los com minúcia.

Sabrina Batista entregou sua bolsa de couro nas mãos de Linda.

— Faça o favor de deixar a minha bolsa e toda essa documentação em cima da minha mesa. Eu analisarei cada página assim que regressar dessa convocação.

Linda acomodou a bolsa sobre o ombro esquerdo e acenou respeitosamente.

— Entendido. Precisa que eu permaneça ao seu lado na sala para anotar a ata da reunião?

— Apenas aguarde posicionada na entrada. Caso surja a necessidade, eu mesma virei chamá-la.

Após emitir as diretrizes precisas, Sabrina Batista direcionou seus passos enérgicos pelo corredor polido até o recinto isolado da conferência.

O encontro agendado para aquela manhã ocorrera de supetão. No trajeto do carro até os portões do complexo empresarial, ela recebera uma notificação restrita de Ricardo Carneiro.

O cerne do debate seria justificar a urgência e a viabilidade da coalizão no projeto faraônico do eixo Sudeste.

A entrelinha era simples: a aliança monumental entre o império Pipefy e a poderosa Família Couto havia sido apenas selada por meio da palavra e da honra verbal, sem uma única assinatura forjada em papel de contrato.

Com certeza absoluta, Ricardo Carneiro pressionara as paredes do escritório de Felipe Carneiro no entardecer anterior.

O interior espaçoso e gelado da sala de conferências abrigava não apenas Sabrina Batista e Ricardo Carneiro, mas uma cúpula de diretores setoriais ostentando feições carregadas de seriedade.

No limite oposto da grande mesa de mogno, o telão de altíssima definição já estava transmitindo uma videoconferência em tempo real direto da base imponente da CapitalPipefy. Além da presença augusta de Felipe Carneiro, via-se uma verdadeira alcateia de membros seniores do conselho administrativo ocupando o ambiente.

Sabrina Batista sentiu o ardor de um leve sobressalto.

Seguindo a lógica hierárquica implacável do mercado, ela não passava de uma executiva em ascensão; não deveria sequer ser convocada a opinar em rodadas negociais com tamanho grau de confidencialidade.

— Pois bem, já que todos os envolvidos estão acomodados, vamos dar o pontapé inicial nesta discussão.

Ricardo Carneiro brincava com sua caneta-tinteiro de luxo, fazendo-a girar habilmente entre as falanges enquanto se recostava largamente na poltrona de couro escuro. Foi ele o primeiro a abrir as trincheiras.

— Senhor Ricardo, o clã da Família Couto detém uma supremacia indiscutível no tabuleiro econômico da Cidade S. Estreitarmos os laços diplomáticos com eles funcionará como um caminho seguro para a expansão da Pipefy na região. Essa aliança é estrategicamente imprescindível. — A argumentação foi disparada por um homem vestido em um terno risca de giz impecável, com cerca de cinco décadas de vida, que mantinha sua postura ereta à direita de Felipe Carneiro.

Ricardo Carneiro estalou a língua com desprezo palpável e moldou os lábios num sorriso carregado de presunção venenosa.

— Prezados tios, mestres da sabedoria corporativa, poupem suas bile. O conglomerado da Família Carneiro monopoliza a espinha dorsal desta corporação. Sabem que nenhum átomo do meu ser trabalharia como traidor contra as paredes de concreto da Pipefy. Minhas objeções existem exclusivamente para nos resguardar de desastres colossais, já que a decência moral que a Família Couto professa é repleta de rachaduras crônicas e carece de investigações brutais.

— O grau de pureza da índole da Família Couto foge ao escopo das nossas planilhas de risco, meu caro. Podem até nutrir a ousadia deslavada de assaltar a parcela dos menos afortunados, mas decerto não terão peito nem engenharia para tramar armadilhas financeiras sob o nosso teto!

O timbre transmitido via satélite carreava agora a agressividade mal contida que transbordava do outro lado do continente.

— Tenho aversão patológica de firmar alianças com esse tipo nefasto de estirpe social. Causa-me ojeriza física. — Ricardo Carneiro não recuou um único milímetro. — Submeto aos senhores o meu parecer desfavorável: sou avesso à coalizão e garanto que a tinta da minha caneta não tocará neste memorando de interesses.

De forma dramática, lançou a pasta imponente contra o verniz da mesa de mogno.

O estalo oco ressoou nos ares, seguido da instalação de uma redoma densa de impasse e desconforto.

A cúpula gerencial presente na sala passou a trocar olhares estéreis, sem encontrar coragem ou vocabulário para abrandar o campo minado em que se tornara o recinto.

— Bom, nesse caso, daremos a palavra à nossa recém-empossada Diretora, a Senhorita Batista. Vamos ouvi-la dissertar sobre os prós e contras da necessidade deste laço institucional com a Família Couto.

De repente, a voz rouca de Felipe Carneiro ecoou no centro da mesa, apontando seu holofote diretamente para o rosto de Sabrina Batista.

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