Henrique Ramos deixou os doces de lado e foi lavar as mãos. Ao retornar, sentou-se ao lado de Sabrina Batista e pegou Lelê.
— O jantar vai demorar um pouco. Coma um doce primeiro.
Os braços de Sabrina Batista ficaram vazios quando Henrique Ramos, com movimentos rápidos e habilidosos, tomou Lelê em seu colo.
— Ela não quer saber de mais ninguém. Basta a Julia ou a Kiara tocarem nela que ela já começa a chorar.
Sabrina Batista, guiada pelo instinto materno, quis pegá-lo de volta.
Desde que acordara da soneca da tarde, ela a segurava sem parar. Quando Julia e Kiara tentaram ajudar, a pequena começou a resmungar com desagrado antes mesmo de se passarem dois segundos.
— Até que ele está bem comportado.
Henrique Ramos acomodou-se em sua cadeira, e Lelê permaneceu serena em seus braços, abrindo e fechando os olhinhos de forma extremamente dócil.
Julia arrumou os doces em um prato elegante e o entregou a Sabrina Batista.
— A Lelê tem um apego muito maior a vocês. Senhora, coma logo. Com essa chuva caindo, não foi nada fácil enfrentar a fila da padaria para trazer essas delícias.
Sabrina Batista pegou o prato de doces e sentiu uma emoção indescritível no peito ao ver coma Lelê era surpreendentemente obediente no colo de Henrique Ramos.
— Senhor, aonde foi esta tarde? A senhora ficou preocupada que o senhor não tivesse almoçado e passou a tarde inteira com a mente longe.
Julia entregou um pequeno garfo a Sabrina Batista, sinalizando com o olhar para que ela oferecesse um pedaço do doce na boca de Henrique Ramos.
Pega de surpresa ao ter seu nome mencionado de forma tão direta, Sabrina Batista ficou atônita por um segundo, e logo o seu coração começou a bater descompassado.
Desde quando ela estivera preocupada se Henrique Ramos havia almoçado ou não?! Na verdade, ela passara a tarde inteira imersa em pensamentos sobre a aliança comercial entre Wesley Couto e a Pipefy!
— É mesmo?
Henrique Ramos lançou-lhe um olhar enigmático, e em seguida sua atenção recaiu sobre o prato à frente.
— Eu quero um pedaço de bolo de rolo.
Julia abriu um sorriso largo.
— A senhora também acha o bolo de rolo delicioso. Vocês dois têm gostos incrivelmente parecidos.
A mão de Sabrina Batista apertou involuntariamente o garfinho. As pontas de seus dedos perderam a cor até ficarem brancas, quase quebrando o talher ao meio devido à força reprimida.
Ela finalmente relaxou os dedos, espetou um pedaço do bolo de rolo recheado com goiabada e o levou, hesitante, até os lábios de Henrique Ramos.
Ela se lembrava muito bem de que Henrique Ramos não suportava doces.
No entanto, contrariando suas memórias, ele aceitou a fatia e pareceu saboreá-la com um prazer genuíno e silencioso.
— O sabor é realmente excelente.
Henrique Ramos levou um pedaço suculento de carne à boca, mastigando com lentidão, como se fosse apenas uma conversa banal durante o jantar.
A recusa de Sabrina Batista foi seca, cortante e definitiva.
— Eu já assinei o meu contrato de admissão com a Pipefy e não possuo a menor intenção de recuar.
Ela ainda aguardava a retórica ou a reprovação de Henrique Ramos.
No entanto, parecia que ele só tivera o capricho de fazer um comentário avulso. Após a recusa categórica da mulher, ele não pronunciou mais uma única palavra.
Lelê dormiu profundamente até a meia-noite. Ao despertar na madrugada sombria, Sabrina Batista a amamentou e tentou embalá-la para que voltasse a fechar os olhos, mas a bebê recusava-se terminantemente a adormecer.
Sem outra alternativa, ela manteve a luz de presença ligada e ficou ao seu lado. Lutava para manter os olhos abertos, tão cansada que estava forçando a mente a se manter desperta num esforço sobre-humano.
Batidas leves e compassadas soaram na madeira da porta.
Os olhos exaustos de Sabrina Batista abriram-se de sobressalto, fixando-se na entrada.
Henrique Ramos empurrou a porta e adentrou o recinto com passos silenciosos e felinos.
— Por que ainda não foi dormir?
A luz tênue e amarelada do quarto se projetava pelo corredor, alcançando os contornos do rosto dele.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!