Deitado no carrinho, Lelê dormia profundamente, sem qualquer presença marcante.
Henrique Ramos recostou-se na cadeira, tomando pequenos goles de chá, com uma expressão ligeiramente azeda.
A forte luz do sol da manhã batia em seu rosto, mas não era capaz de varrer o seu descontentamento.
— Aconteceu algum problema no trabalho ultimamente?
Sabrina Batista pensou antes de falar. Será que tinha dado algo errado do lado do Presidente Macedo?
Henrique Ramos lançou-lhe um olhar de esguelha: — Não.
— Então, por que você está com essa cara amarrada, fazendo reuniões na madrugada com os diretores e indo beber com o Doutor Moraes todos os dias?
Sabrina Batista nunca vira Henrique Ramos agir de forma tão desregrada.
— Com que direito você está invadindo a minha vida? — Henrique Ramos pousou a xícara e olhou fixamente para Sabrina Batista sem piscar.
Após refletir por um instante, Sabrina Batista colocou aquela relação complexa em um patamar adequado.
— Desculpe, eu passei dos limites.
Relação contratual, ex-esposa, ex-subordinada... Nenhuma dessas posições lhe dava o direito de se intrometer tanto na vida dele.
Ela virou o rosto e ficou observando os dois adultos e a criança brincando na pista.
Fernando Moraes colocou Carlitos no lombo do animal, e Oceana Reis, insegura, tentou subir para acompanhá-los, mas o peso dos dois quase esmagou o pequeno pônei.
Não se sabia se Fernando Moraes a chamou de pesada ou algo do tipo, mas ela começou a correr atrás dele para bater.
Henrique Ramos sentia o peito apertado de frustração. Ele bateu levemente os dedos na mesa: — Sabrina Batista, você não tem mais nada para me dizer?
Sabrina Batista virou-se novamente para ele, hesitou por um instante e perguntou: — Tenho sim. Você volta para casa hoje à noite?
— Só isso? — Henrique Ramos não ficou nada satisfeito com aquela pergunta que soava como mera formalidade.
— Quero dizer, conversaremos quando você voltar para casa.
Sabrina Batista não havia levado o caderninho de despesas; ali, não conseguiria explicar tudo com clareza.
A expressão de Henrique Ramos suavizou-se um pouco: — Volto. Então, falaremos quando eu voltar.
Ele levou a xícara aos lábios e tomou um gole, sentindo a fragrância rica e intensa das rosas invadir suas narinas.
Fernando Moraes revirou os olhos: — Deixa de fingimento. O que está rolando entre você e a Sabrina Batista ultimamente?
— Nada. — Henrique Ramos foi direto e conciso.
— Henrique Ramos, não me leve a mal, mas essa sua atitude não é a de um homem tentando conquistar uma mulher.
Enquanto limpava a boca de Carlitos, Fernando Moraes virou a cabeça e, ao ver Henrique Ramos observando Lelê, acrescentou:
— Você é um excelente pai, mas não é um marido qualificado.
— Você já se casou alguma vez? — Henrique Ramos o encarou pelo canto dos olhos. — Um solteirão veterano querendo me ensinar como ser um bom marido?
Afinal de contas, ao menos ele havia sido casado com Sabrina Batista.
Fernando Moraes sentiu como se tivesse levado uma facada no coração, mas, pelo bem da irmandade entre eles, deixou passar.
— Nunca casei, mas não sou cego para a vida, né? Mulher precisa ser cortejada, precisa sentir sinceridade e emoção verdadeira. Não é como nas suas negociações do mundo dos negócios, onde se usa apenas a lógica. Só porque ela teve um filho seu, significa que é obrigada a ficar com você? Se fosse assim, quando ela der um filho para outro homem no futuro, você vai cortá-la no meio para dividir? — Ai!

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!