Pega de surpresa pelo rumo da conversa, Sabrina Batista não conseguiu processar logo de cara, e sua expressão congelou.
Verdade seja dita, fazia dois anos sem tentar, ou até mais do que isso!
— Que cara é essa? — Oceana Reis percebeu que havia algo errado e a encarou. — Como foi que ele te ajudou, exatamente?
Para ajudar Sabrina Batista a se esconder da Família Couto, será que a ajuda acabou indo parar na cama?!
— Eu quis dizer que ele sempre teve o costume de fazer horas extras para a empresa, então esses últimos dias não são nada.
Explicou Sabrina Batista.
Fernando Moraes assentiu: — Nisso você tem razão, o trabalho nunca consegue derrubá-lo. A não ser que seja uma pessoa.
Sabrina Batista mal havia "apagado o incêndio" e Fernando Moraes já acendia outro.
Oceana Reis, percebendo o clima estranho com atraso, questionou: — O que está acontecendo, afinal? Por que vocês falam como se o Henrique Ramos e você fossem uma coisa só?
— Não sei. — Sabrina Batista balançou a cabeça de forma decisiva. — Vou preparar um chá de flores. Fiquem conversando.
Ela foi até o armário de vidro, pegou um frasco de chá de rosas e começou a prepará-lo, usando a tarefa como desculpa para fugir do assunto.
Oceana Reis lançou um olhar para Fernando Moraes.
Fernando Moraes ficou com uma expressão sem graça e fechou a boca, calando-se.
Eles se sentaram ao redor da mesa, e Sabrina Batista serviu o chá para cada um.
Mal havia enchido a terceira xícara, viu Fernando Moraes pegar outro copo e colocá-lo na frente dela: — Tem mais uma pessoa.
— Certo. — Sabrina Batista encheu a xícara extra, olhou ao redor, mas não viu ninguém.
Quando estava prestes a perguntar a Fernando Moraes quem mais viria, ouviu de repente o som de galopes acelerados e o relincho de um cavalo vindo de longe.
Sabrina Batista virou a cabeça para olhar lá fora.
Na pista ampla, um homem vestia uma camisa branca, acompanhada por um colete de corte sob medida, além de culotes e botas de montaria de cano alto. Usando um capacete preto, ele mantinha uma postura impecável e elegante enquanto cavalgava.
— Quando o Henrique Ramos chegou? — surpreendeu-se Oceana Reis.
Sabrina Batista balançou a cabeça: — Como seria possível? Já faz vários dias que não o vejo.
Oceana Reis assentiu: — Ainda bem. Esse é do tipo intocável, não podemos ofender, o melhor é manter distância.
A porta da copa foi aberta. Henrique Ramos tirou as luvas de couro acamurçado, e os passos de suas botas de montaria produziram um som baixo, porém estridente, no piso de madeira.
— Chegou na hora certa. Chá preparado pela Senhorita Batista.
Fernando Moraes puxou a cadeira ao lado de Sabrina Batista, indicando para Henrique Ramos se sentar.
Henrique Ramos deixou as luvas no aparador, aproximou-se, sentou-se e degustou um gole do chá de flores.
Ninguém disse uma palavra. Após alguns segundos de silêncio, Fernando Moraes foi o primeiro a se levantar: — Tem um pônei no haras, vou levar o Carlitos para dar uma volta.
— De jeito nenhum, você vai deixar ele cair! — Oceana Reis recusou de imediato.
Mas Fernando Moraes simplesmente pegou Carlitos no colo e saiu andando, fazendo com que ela se levantasse rapidamente e corresse atrás dele: — Se você derrubar ele, quem vai levar a bronca sou eu!
Eles saíram de forma tão repentina e rápida que a copa ficou ocupada apenas por Sabrina Batista e Henrique Ramos.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!