— Não tenho certeza — respondeu Sabrina Batista, enquanto trocava a fralda de Lelê com o telefone no ouvido.
— Ele acabou de entrar na empresa e já está participando do maior e mais promissor projeto que temos! O Senhor Ramos está sendo muito parcial com ele! — O tom de Fabiana beirava o choque.
— Ele está participando do projeto? — Sabrina Batista parou o que estava fazendo por um instante.
— Uhum. Você também está surpresa, né? O Senhor Ramos nunca abriu exceções no trabalho para ninguém — murmurou Fabiana.
Sabrina Batista conhecia aquele projeto da Quinto Andar e sabia que era extremamente importante.
Mesmo fazer um trabalho secundário naquele projeto poderia se tornar um dos grandes destaques do currículo de alguém. Quem diria para um novato como Francisco Couto; era literalmente começar no topo.
Se Henrique Ramos queria testá-lo... aquilo não seria arriscado demais?
Enquanto pensava nisso, o celular de Sabrina Batista tocou de repente.
Era uma ligação de Francisco Couto.
— Fabiana, preciso desligar agora, tenho outro assunto a tratar.
Sabrina Batista encerrou a chamada com Fabiana e atendeu Francisco Couto.
— Senhorita Batista, seria possível nos encontrarmos no almoço? — A voz de Francisco Couto soava baixa; afinal, ele ainda estava no expediente.
— Aconteceu alguma coisa? — O tom de Sabrina Batista foi neutro.
— Sim, é algo urgente. E muito sério — respondeu Francisco Couto.
O tom dele era grave, e não parecia estar brincando.
— Eu vou até você — Sabrina Batista desligou o telefone. Após acalmar Lelê, saiu de casa.
Havia um restaurante de culinária típica da Cidade S perto da Quinto Andar, e a comida lá era excelente.
Por coincidência, Francisco Couto também escolhera aquele lugar. Os dois se encontraram em uma sala reservada no último andar.
Na última vez em que Francisco Couto viu Sabrina Batista, ele vestia roupas casuais, exalando um ar descontraído e despreocupado.
Hoje, vestido com um terno elegante, cada um de seus gestos transparecia a maturidade e a sobriedade de um homem bem-sucedido.
— No meu primeiro dia na empresa, me colocaram para assumir um projeto desse tamanho. Tenho um monte de olhos em cima de mim. Todos sabem que vim de outra empresa. Estávamos nos dando bem no começo...
Francisco Couto tinha uma ótima aparência, era inteligente e possuía grande traquejo social.
Em menos de uma hora desde que havia entrado na empresa, já tinha se entrosado com as pessoas do departamento.
Os colegas de trabalho também ficaram com uma boa impressão dele.
Mas no instante em que ele foi promovido de forma excepcional para participar do projeto, as expressões de todos os colegas mudaram drasticamente.
— Você pode recusar. Ninguém está forçando você — Sabrina Batista foi direta.
— Tenho medo de que, se eu recusar, isso irrite o Senhor Ramos e traga problemas para você. Como estão as coisas entre você e o Senhor Ramos atualmente? — Francisco Couto perguntou, tentando sondar a situação.
— Recuse se achar que deve. O Senhor Ramos não vai criar problemas para você, ele sabe separar o lado profissional do pessoal — Sabrina Batista esquivou-se do assunto.
Francisco Couto ficou em silêncio por alguns instantes antes de perguntar novamente: — Por que você me colocou na Quinto Andar em vez de na Pipefy?
Assim que as palavras saíram de sua boca, o som de passos que vinha de fora da sala reservada cessou abruptamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!