As preocupações de Sabrina Batista não estavam erradas. Embora Francisco Couto fosse de fato digno de pena.
A desconfiança deles não deveria, sob nenhuma circunstância, ser menor do que a compaixão.
— Senhor Ramos, foi falta de cuidado de minha parte! Se eu soubesse, teria deixado a Secretária Batista alocá-lo na Pipefy — Luiz Moreira levou um susto no fundo do coração.
— Pipefy? — Henrique Ramos estreitou os olhos.
— Quando eu estava organizando a admissão de Francisco Couto esta manhã, ele comentou que preferia vir para a Quinto Andar em vez da Pipefy. Ao aprofundar a conversa, descobri que ele havia pedido à Secretária Batista para arrumar um emprego, e que tanto a Pipefy quanto a Quinto Andar serviriam — explicou Luiz Moreira.
Um silêncio sepulcral tomou conta do interior do carro.
O ar parecia rarear, congelando-se ao redor de Henrique Ramos. Não se sabia no que ele pensava, mas seu olhar tornou-se profundo e sombrio.
Na Quinto Andar, Henrique Ramos havia ido naquele dia para lidar com Luan Macedo.
O Presidente Macedo já havia sido expulso definitivamente da Quinto Andar. Sendo Luan Macedo seu seguidor leal, também precisava ser eliminado.
Luan Macedo já estava esperando na entrada havia muito tempo. Ao ver o carro de Henrique Ramos, ele correu imediatamente para abrir a porta.
— Senhor Ramos.
Henrique Ramos saiu do veículo, ajeitando o terno com ambas as mãos. Seus olhos afiados como os de um falcão varreram Luan Macedo.
Aquilo fez com que Luan Macedo sentisse um arrepio na espinha, como se uma lâmina afiada estivesse raspando suas costas.
— Senhor Ramos, tenho algumas disposições de trabalho sobre as quais gostaria de lhe reportar.
Henrique Ramos assentiu e caminhou na frente em direção ao elevador executivo, sendo prontamente seguido por Luan Macedo.
Ao entrarem no elevador, o espaço confinado foi preenchido pela aura imponente de Henrique Ramos.
O coração de Luan Macedo não parava de martelar de nervosismo.
Momentos depois, no escritório do presidente.
— Gerente Macedo, pode falar diretamente — Henrique Ramos sentou-se à mesa, encarando Luan Macedo com um olhar apático.
— A situação é a seguinte. O Projeto Brilhante só foi em frente graças à minha insistência. Embora tenha trazido um certo prestígio para a empresa, financeiramente só gerou prejuízos. Sinto um grande remorso e culpa, por isso estou pensando em renunciar ao cargo de gerente do departamento de projetos.
Ao sair do escritório de Henrique Ramos, ele pensou por um bom tempo, mas não conseguiu decifrar o que o chefe pretendia com aquilo.
Até que voltou ao departamento de projetos e deparou-se inesperadamente com Francisco Couto.
Francisco Couto era alguém colocado lá por Henrique Ramos. Será que era isso que ele queria dizer?
Naquele exato instante, Luan Macedo incluiu Francisco Couto no projeto mais recente e promissor do momento.
Francisco Couto não havia revelado sua identidade na empresa. Aquele novato recém-contratado, sem qualquer experiência prévia no mundo corporativo, de repente estava diretamente envolvido no projeto.
Imediatamente, surgiram rumores pela empresa de que Francisco Couto tinha costas quentes.
Sabrina Batista ficou sabendo do ocorrido através de Fabiana.
Como secretária, Fabiana lidava com as demandas do trabalho e, de vez em quando, enfrentava dificuldades, pedindo ajuda a Sabrina Batista.
Dessa vez, procurou Sabrina Batista puramente para fofocar e conversar sobre o assunto de Francisco Couto.
— Sabrina, você sabe de onde surgiu esse Francisco Couto? Ele foi colocado aqui pelo próprio Senhor Ramos!

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!