Portanto, Francisco Couto não era de forma alguma um playboy.
Ele era muito inteligente, talvez até mesmo um gênio.
Apenas cedera à pressão de Wesley Couto, forçando-se a assumir a fachada de um inconsequente.
Dentre seus amigos que haviam assumido os negócios da família, não havia um só que não o procurasse em busca de conselhos.
Sabrina Batista segurava o copo de leite com ambas as mãos, sentindo a temperatura do líquido passar de fervente a morna.
— Eu só sou mais inteligente que os outros, só tenho ambição de crescer. Onde foi que eu errei?
Francisco Couto exibia um semblante triste. — O meu erro foi ter nascido na Família Couto. Toda essa riqueza, esse poder absoluto... Eu nunca quis nada disso!
Com a sua inteligência, se tivesse nascido em uma família comum, teria entrado em uma boa universidade e garantido um futuro brilhante.
Seria muito melhor do que se tornar um herdeiro esbanjador, rotulado como um inútil.
Ter capacidade mas ser impedido é muito mais triste e frustrante do que ter ambições grandes sem talento!
— Então, por que você me procurou? — perguntou Sabrina Batista, após ponderar por um momento.
Francisco Couto permaneceu em silêncio por um longo tempo.
— Só queria te alertar sobre a verdadeira face deles, para que você fuja para o mais longe possível. Talvez você já tenha percebido quem eles realmente são, e nem precise do meu aviso.
Sabrina Batista respirou fundo. — Se você veio apenas para me avisar, eu agradeço. Não tenho a menor intenção de voltar para a Família Couto.
Francisco Couto olhou para ela. — Embora o alvo deles seja a Família Couto, se você voltasse, seria a herdeira legítima, com uma vida de luxo garantida até o fim dos seus dias. Você realmente não cogita a ideia?
— Não cogito — respondeu Sabrina Batista, balançando a cabeça.
O silêncio pairou na sala reservada. Francisco Couto segurava uma pequena colher, mexendo levemente o café. O som metálico batendo contra a xícara era nítido, porém fraco, ecoando com clareza.
Sabrina Batista tomou metade do leite e anunciou sua partida: — Se não há mais nada, eu já vou.
Francisco Couto a observou, hesitando em dizer algo.
Sabrina Batista virou-se, pegou a bolsa e caminhou em direção à porta.
— Se for o caso, corte os laços com a Família Couto você também.
Sabrina Batista agachou-se diante dele. — Comece tudo do zero.
Francisco Couto deu um sorriso amargo. — Wesley Couto nunca permitiria. Ele quebrou as minhas asas com as próprias mãos e ainda criou a ilusão de que eu sou um inútil incapaz de voar. Como ele deixaria que eu me afastasse da Família Couto para alçar meu próprio voo?
Se deixasse a Família Couto e começasse de baixo, com a inteligência que tinha, era apenas uma questão de tempo até que Francisco Couto construísse o seu próprio império.
E quando isso acontecesse, toda a farsa criada por Wesley Couto não viria à tona?
— Eu não posso te ajudar.
Fosse Francisco Couto seu irmão de sangue ou apenas meio-irmão, Sabrina Batista sentia uma profunda compaixão por tudo o que ele estava enfrentando.
Mas o que ela poderia fazer?
Ela mesma ainda precisava agir como uma parasita, agarrando-se a Henrique Ramos para conseguir se livrar da Família Couto. Como poderia ajudar Francisco Couto?

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