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Senhor Ramos, ele não é seu filho! romance Capítulo 608

— Senhor Ramos, Secretária Batista, se não houver mais nada, já vou indo.

Luiz Moreira recolheu os documentos, fez um breve aceno com a cabeça e saiu da mansão.

— Precisa que eu vá com você? Cof, cof... Então vá, pode deixar o Lelê comigo — imitou Luiz Moreira ao voltar para o carro, após ficar em silêncio por alguns segundos, reproduzindo o tom de voz de Henrique Ramos.

— Credo... — Luiz Moreira estremeceu. — Desde quando o Senhor Ramos, um homem de tão poucas palavras, se tornou assim?!

——

Na manhã seguinte, no estacionamento da cafeteria.

Sabrina Batista não imaginava que a suposta ideia de deixar o Lelê com Henrique Ramos significava que ele traria o bebê junto e ficaria esperando no carro.

— Está quente dentro do carro e não temos leite em pó. E se o Lelê começar a chorar? — perguntou ela, olhando para trás enquanto soltava o cinto de segurança.

— Eu entro e vou te procurar — respondeu Henrique Ramos sem a menor hesitação.

— ... — Se ele fazia tanta questão de acompanhá-la, qual era o sentido de tudo aquilo?

Sabrina Batista abriu a porta do carro e desceu, decidida a resolver tudo o mais rápido possível enquanto Lelê ainda dormia.

Francisco Couto havia reservado o lugar. Assim que Sabrina Batista entrou, foi guiada por um garçom em direção a uma sala privativa no terceiro andar.

Na sala privativa no canto, a cortina de bambu estava parcialmente abaixada, permitindo ver a silhueta de alguém sentado à mesa.

O garçom levantou a cortina por completo, e Sabrina Batista entrou no ambiente.

— Senhorita Batista.

Ao vê-la chegar, Francisco Couto levantou-se para recebê-la.

Aquele tom que antes soava um tanto leviano, agora carregava uma firmeza quase imperceptível.

Ouvir essas palavras saindo da própria boca de Francisco Couto deixou Sabrina Batista profundamente chocada.

Não diziam que Wesley Couto dava preferência a filhos homens?

Sendo assim, eles deveriam ter mimado Francisco Couto ao extremo, e seria por isso que o transformaram em um jovem tão inconsequente!

Com tamanha indulgência, ele não deveria estar dizendo coisas daquele tipo.

— Você deve achar que, por eu ser o único filho homem, eles me deram um amor infinito e que eu não deveria estar falando deles dessa forma, não é?

— Wesley Couto só ama a si mesmo. Ele quer transformar a Família Couto no seu próprio patrimônio, e todos nós somos apenas peças no jogo dele para colocar as mãos nas ações da Família Couto. Ele quer ser a pessoa com mais poder em toda a linhagem dos Couto. O porquê de ele ser assim, eu não sei. Só sei que ele não vai deixar a empresa nem para mim, nem para você, e muito menos para o nosso filho! — explicou Francisco Couto com um sorriso amargo.

— Era só isso que você queria me dizer? — retrucou Sabrina Batista.

— Tem muito mais — continuou Francisco Couto, arregaçando a manga da camisa para revelar uma cicatriz assustadora no pulso. — Isso foi quando eu tinha quinze anos e fui aprovado na melhor universidade do país. É a marca de quando ele me espancou quase até a morte. Ele queria usar o vestibular para me transformar numa piada, mas eu acabei passando. A glória que as minhas notas trouxeram publicamente a ele, e a inveja que isso despertou nos outros, determinaram o quão forte ele me bateu naquele dia!

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