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Senhor Ramos, ele não é seu filho! romance Capítulo 603

[Até onde me lembro, só choveu tão forte assim uma vez lá na Capital. Aqui na Cidade S, já foram várias vezes. Até caiu uma árvore no quintal da minha casa, o barulho acordou o Carlitos.]

Sabrina Batista tocou na tela, prestes a responder, quando de repente um trovão ensurdecedor estourou, causando um sobressalto no peito.

— Buááá!

Lelê pareceu ter se assustado e de repente começou a chorar a plenos pulmões.

Sabrina Batista acendeu a luz do abajur e pegou Lelê no colo. Ele não quis mamar, e andar de um lado para o outro com ele nos braços também não adiantou. O rosto do bebê já estava vermelho de tanto chorar.

— Não chora, não chora, a mamãe está aqui.

A chuva batia forte contra a janela e os trovões continuavam intensos.

Sabrina Batista encostou o rosto perto do ouvidinho de Lelê e tentou acalmá-lo com doçura.

Mas Lelê parecia não escutar, continuando a chorar desesperadamente.

O choro era tão forte que as veias de sua testa saltavam, o rostinho estava escarlate e os lábios começavam a ficar arroxeados.

— Lelê? Lelê?

Ela dava tapinhas leves no rosto de Lelê, chamando-o repetidas vezes.

Mas Lelê emitiu um choro longo, travando a respiração.

— Henrique Ramos! Henrique Ramos!

Sabrina Batista entrou em pânico e, instintivamente, gritou o nome de Henrique Ramos.

Ela abriu a porta com Lelê nos braços e, quando estava prestes a sair, uma silhueta bloqueou seu caminho.

— Me dê ele aqui.

Vestindo apenas uma calça de moletom azul-marinho, de tronco nu, Henrique Ramos pegou Lelê. Ele colocou o bebê sobre a cama e deu um leve peteleco na sola do pé do menino.

O pezinho de Lelê se encolheu e ele imediatamente soltou a respiração, voltando a chorar em voz alta.

A cor arroxeada dos lábios começou a voltar ao normal.

Sabrina Batista ficou logo atrás de Henrique Ramos, sem arredar o pé, observando enquanto ele segurava Lelê e o embalava suavemente, até o choro ir cessando aos poucos.

O rostinho do pequeno estava coberto de lágrimas, partindo o coração de quem visse.

Ao ver o filho passar do desespero rubro a um sono sereno com lágrimas ainda presas nos cílios, o coração apertado de Sabrina Batista finalmente relaxou.

A tempestade diminuiu e o silêncio voltou a reinar. Henrique Ramos colocou Lelê deitado na cama com cuidado e o cobriu com uma manta fina.

— Patroa, já acordou?

Julia abriu espaço para ela.

— O jovem mestre me contou o que houve ontem à noite. Não se preocupe, o pequeno mestre só tomou um susto. Aquele trovão foi assustador mesmo.

— Hum. — Sabrina Batista pegou Lelê no colo e encostou o rosto no dele. — Eu tentei de tudo e não conseguia acalmá-lo. Talvez porque Henrique Ramos passe muito tempo com ele, acabou conseguindo fazer ele parar de chorar.

Julia sorriu.

— Isso é só uma parte do motivo. Lá na Capital, os mais velhos dizem que a presença forte do homem passa mais segurança. A criança sente essa firmeza, se acalma e perde o medo.

Kiara concordou logo em seguida:

— Criança não se apega só a quem cuida mais. Você o amamenta, sempre será a pessoa mais importante para ele. Mas cada um tem o seu papel, e você também não pode substituir o lugar do pai no coração dele.

Ver que Lelê estava bem havia deixado o coração de Sabrina Batista aquecido, mas aquelas palavras trouxeram uma leve pontada de dor.

— É bem isso. Como diz o ditado, quando o casal puxa junto, o trabalho fica mais leve. Na criação dos filhos é a mesma coisa, nem o pai nem a mãe podem faltar...

Julia continuou a murmurar.

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