Henrique Ramos deslizou o polegar suavemente sobre o visor do relógio.
— O problema é que, daqui para frente, a vida de Fernando Moraes não será nada tranquila.
Sabrina Batista respirou fundo.
— O Fernando Moraes está fingindo ser o pai do Carlitos agora. Será que isso vai trazer problemas?
— Fingindo? — Henrique Ramos lembrou-se da última vez em que Fernando Moraes disse ser o pai de Carlitos. Era fingimento?
Ele tinha acreditado que era verdade.
— Então não foi o momento perfeito para entregar uma fraqueza de Wesley Couto de bandeja para o Marcel Couto?
O que preocupava Sabrina Batista não era se isso servia como vantagem ou não, mas sim o risco de descobrirem que Fernando Moraes nunca foi o ex-marido de Oceana Reis.
Ninguém duvidava da história dos trigêmeos da Família Couto.
Após ler as notícias, Sabrina Batista voltou a comer, com a mente um tanto turbulenta.
Quando terminou a refeição, ergueu os olhos e percebeu que Henrique Ramos ainda estava sentado à sua frente.
A camisa preta dele estava com os dois primeiros botões abertos, revelando duas marcas de arranhões no peito, que combinavam com outras marcas em seus pulsos. Aquilo servia como um lembrete constante da loucura do dia anterior.
Foi difícil para Sabrina Batista manter a compostura. Ela largou os talheres e se levantou para sair.
— Sabrina Batista, você não planeja conversar comigo?
Henrique Ramos finalmente perdeu a paciência e quebrou o silêncio.
Os passos de Sabrina Batista vacilaram. Ela respirou fundo e voltou a se sentar.
— De manhã eu já fui bem clara. Você me devia um favor... Não, eu nem quero mais esse favor. Esqueça isso.
— Não estou falando disso. — retrucou Henrique Ramos.
— Então está falando de quê? — questionou Sabrina Batista.
— Estou dizendo que podemos ficar quites dessa mesma forma mais vezes.
Ao dizer isso, a voz de Henrique Ramos tornou-se visivelmente mais grave e rouca.
— Eu estou... — Sabrina Batista tirou o remédio do bolso e sacudiu na frente dele.
— É claro que vou esperar o seu corpo se recuperar. — respondeu Henrique Ramos.
Sabrina Batista ficou muda.
Por acaso ela estava querendo dizer que o problema era apenas o desconforto físico no momento?
Uma segunda vez?
Um calafrio percorreu o corpo de Sabrina Batista. Ela se virou e subiu as escadas quase correndo.
Ela entrou na internet e pediu uma cartela de pílula do dia seguinte.
Embora estivesse em seu período seguro naqueles dias, uma proteção dupla trazia mais tranquilidade.
Uma hora depois, a entrega chegou e ela tomou o medicamento.
A proposta de Henrique Ramos para um contrato suplementar foi ignorada, mas ele não desistiu. Ele mandou Luiz Moreira imprimir antecipadamente um adendo contratual, apenas por precaução.
No entanto, como se tivesse um pressentimento, Sabrina Batista passou a evitá-lo e começou até a trancar a porta do quarto à noite.
Durante a madrugada, desabou uma tempestade intensa. A chuva caía com violência, molhando a cortina fina da janela e fazendo um barulho estrondoso.
Despertada pelo som, Sabrina Batista levantou-se para fechar a janela, mas, em meio aos clarões dos relâmpagos, pareceu ver um vulto passar rapidamente pelo portão do condomínio.
O sono desapareceu em um instante. Ela esfregou os olhos e olhou novamente, mas, além da chuva torrencial e da névoa úmida, tudo parecia normal.
Ao voltar para a cama, pegou o celular para ver a hora. Eram duas e meia da manhã.
Na tela, havia uma mensagem enviada por Oceana Reis há dez minutos.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!