As duas trocaram um olhar e, ao lembrarem do preço oferecido por Presidente Macedo, cerraram os dentes e estenderam as mãos em direção aos ombros de Henrique Ramos.
Mas bem no instante em que as mãos, uma de cada lado, estavam prestes a pousar nos ombros dele!
A porta da sala foi escancarada violentamente, e vários guarda-costas invadiram o local, afastando rapidamente as duas mulheres.
— Venham para cá e agachem-se! Fiquem quietas!
Luiz Moreira e Fernando Moraes foram os últimos a entrar.
Fernando Moraes pegou um recipiente descartável, recolheu todos os líquidos que estavam sobre a mesa e os guardou para levar e examinar.
— Senhor Ramos, quer que eu o leve ao hospital?
Luiz Moreira ficou apreensivo ao notar que o rosto de Henrique Ramos já começava a apresentar um rubor incomum.
Se chegassem um segundo mais tarde e Henrique Ramos tivesse sido tocado por aquelas duas mulheres sujas, seria um verdadeiro desastre!
A mente de Henrique Ramos foi inundada pelas imagens do dia anterior, quando viu Sabrina Batista trocando de roupa.
Sua respiração tornou-se gradualmente ofegante. Ele afrouxou a gravata, e sua voz soou bem mais rouca.
— Limpem a área. Não se preocupem comigo.
— Não sabemos que tipo de substância foi usada aqui. Se aquele velho tiver colocado uma dose muito forte, você pode não aguentar e algo grave vai acontecer. — alertou Fernando Moraes.
Henrique Ramos ergueu a mão e massageou o espaço entre as sobrancelhas com força, recuperando alguns traços de lucidez.
— Não se preocupem comigo. Resolvam tudo isso depressa.
Após dizer isso, ele se levantou e saiu a passos largos.
— Doutor Moraes, por favor, leve esses materiais logo para o laboratório.
Luiz Moreira não teria a coragem de simplesmente ignorar Henrique Ramos. Ele ordenou que seus homens mantivessem as mulheres detidas e, em seguida, correu atrás dele.
E ele só parou quando viu com os próprios olhos Henrique Ramos puxar Sabrina Batista para dentro de um quarto.
Foi então que Luiz Moreira finalmente entendeu o porquê de Henrique Ramos ter se deixado cair naquela armadilha!
O quarto estava perfumado com incenso de rosas. Após perder o fôlego, o aroma estimulou o cérebro de Sabrina Batista, deixando-a em estado de transe.
Nesse atordoamento, ela sentiu como se tivesse voltado a dois anos atrás.
Aquela fora a primeira noite após o fim do período menstrual de Sabrina Batista.
Henrique Ramos a havia devorado de forma insaciável, atormentando-a até a metade da madrugada.
— Sim, senhor!
Luiz Moreira assentiu.
As portas do elevador se fecharam lentamente.
Dentro da cabine, Henrique Ramos baixou os olhos para observar a mulher que dormia profundamente em seus braços.
Os cabelos longos de Sabrina Batista estavam úmidos, grudados nas bochechas, e o rubor sedutor entre suas sobrancelhas ainda não havia desaparecido totalmente, mas ela não conseguiu suportar a onda de exaustão e sequer acordou enquanto ele a carregava.
Quando as portas do elevador se abriram, Fernando Moraes, que aguardava do lado de fora, tomou um susto com a cena.
Ao notar as marcas vermelhas nos tornozelos de Sabrina Batista, ele desviou o olhar polidamente, mas puxou uma lufada de ar.
— Já que você está bem, eu vou indo.
— Espere. Dirija e nos leve de volta. — disse Henrique Ramos.
Fernando Moraes hesitou nos passos, mas em um instante recobrou a naturalidade e os acompanhou até o seu carro.
— Já pensou em que tipo de explicação vai dar a ela quando ela acordar?
Lembrando-se dos pequenos empurrões e da resistência de Sabrina Batista antes que as coisas acontecessem, era fato que uma explicação seria necessária.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!