A irritação no íntimo de Sabrina Batista foi aos poucos se acalmando. Ela relaxou, o cansaço a dominou e, sem perceber, acabou adormecendo também.
No quarto, a respiração compassada de Lelê misturava-se com a respiração suave de Sabrina Batista.
As pálpebras de Henrique Ramos se moveram levemente, e seus olhos profundos se abriram em uma fresta, lançando um olhar de soslaio.
Os longos cabelos de Sabrina Batista espalhavam-se pelo travesseiro, enquanto sua pele, quase luminosa, exibia um leve tom rosado.
Deitada ali, Sabrina deixava à mostra um corpo macio e cheio de curvas, impossível de ignorar.
De repente, Lelê estremeceu, encolhendo os braços e as pernas. Ao se espreguiçar, soltou pequenos murmúrios.
Mesmo sem abrir os olhos, Sabrina Batista estendeu o braço, abraçou os pequenos ombros de Lelê e deu-lhe tapinhas suaves.
Aos poucos, Lelê se acalmou e voltou a dormir, e ela parou com os tapinhas.
Henrique Ramos pegou o celular, tirou algumas fotos daquela cena e as enviou para Daniela Vieira.
O celular dele estava no modo silencioso. Poucos segundos após o envio, Daniela Vieira respondeu.
— Mande mais algumas.
Henrique Ramos desligou a tela do celular, colocou-o debaixo do travesseiro e, em total silêncio, ficou observando os dois.
Às três horas da tarde, a notícia de que Sabrina Batista era filha biológica da família Couto, mas se recusava a reconhecê-los, espalhou-se rapidamente.
Wesley Couto finalmente encontrou uma brecha e fez com que a mídia divulgasse a notícia.
Uma avalanche de comentários se seguiu. Sabrina Batista, que não pertencia à alta sociedade mas era bem conhecida por ela, de repente viu sua notoriedade disparar.
No fim das contas, Wesley Couto ainda não ousava ofender Henrique Ramos. Ele apenas declarou que, por estarem separados de Sabrina Batista há mais de vinte anos, não havia laços afetivos e, por isso, ela não os reconhecia.
Os rumores de que ela teria sido influenciada por outras pessoas ou coagida a não voltar para casa eram apenas táticas usadas em privado para forçar o retorno de Sabrina Batista.
Na internet, eles só tinham coragem de atacar Sabrina Batista, acusando-a de ser insensível e sem coração.
As pessoas da alta sociedade sabiam muito bem qual era a índole do casal Couto.
Henrique Ramos colocou o notebook na mesa de centro e se aproximou da direção de Sabrina Batista. Com as duas mãos, ele ergueu o corpinho de Lelê e o acomodou no próprio colo.
Seus movimentos foram tão rápidos e firmes que, quando Sabrina Batista se deu conta, Lelê já estava nos braços dele.
— O que eu queria era uma família acolhedora, mas claramente eles não são isso.
Ainda assim, embora Sabrina Batista não os aceitasse, o fato era que Wesley Couto e a senhora Couto eram seus pais.
Dizer que não eram acolhedores foi a maneira que Sabrina Batista encontrou para preservar um pouco de sua dignidade diante de Henrique Ramos, evitando sentir-se ainda mais envergonhada.
— Quer que eu cuide da família Couto para você de uma vez por todas? — ofereceu Henrique Ramos.
Aquele casal da família Couto era muito problemático. Ele olhou para o bebezinho fofinho em seus braços, tão pequeno e macio, e sentiu que não podia esperar muito mais.
— É melhor não incomodar o senhor Ramos com isso — recusou Sabrina Batista.
— Senhor Ramos? — Henrique Ramos torceu levemente o canto da boca. — Sabrina Batista, eu sou o pai biológico do Lelê. Você acha adequado me chamar assim?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!