— Você foi obrigada a se submeter ao senhor Ramos por causa do seu filho, e por isso não quer voltar?
— Não tenha medo, o papai e a mamãe estão aqui para te apoiar. Nós daríamos a vida para resgatar você e o bebê — disse a senhora Couto, tentando semear discórdia em voz baixa após olhar ao redor e ter certeza de que não havia mais ninguém.
A cabeça de Sabrina Batista latejava de dor.
Pela primeira vez, ela compreendeu o significado da frase de que nunca se pode acordar quem finge estar dormindo.
— Sim, Henrique Ramos me mantém em cativeiro, impedindo que eu e meu filho saiamos. Tudo o que vocês acabaram de dizer foi gravado pelas câmeras escondidas desta sala. Receio que não será tão fácil me salvar. Vão em frente, batam de frente com a família Ramos. Acredito que, com a pressão da opinião pública, vocês conseguirão derrotar a família Ramos e me levar de volta com meu filho. Mesmo que isso acabe com a família Couto, pelo menos a gente fica junto.
— Vocês não vão me abandonar agora, vão? — Ela decidiu entrar no jogo deles, deixando a decisão em suas mãos.
Wesley Couto e a senhora Couto foram colocados contra a parede.
Com os quatro olhos fixos em Sabrina Batista, os dois não conseguiram dizer uma palavra sequer por um longo tempo.
— Que tal o seguinte? Eu mesma monto um plano para sabotar os projetos da Quinto Andar pelos próximos seis meses. Embora isso vá consumir os recursos financeiros e materiais da família Couto, certamente causará problemas para a Quinto Andar. Considerem isso o primeiro passo de vocês contra o Henrique Ramos. Eu não sou tão importante assim para ele, ele não se sacrificaria tanto por mim. Provavelmente, ele simplesmente desistiria.
Se a família Couto entrasse em guerra com a Quinto Andar, o único destino possível seria a ruína.
Em contrapartida, as perdas da Quinto Andar seriam de apenas dez por cento.
A enorme disparidade de poder e influência provava que Wesley Couto não era páreo para Henrique Ramos.
Mas...
— Por que estão hesitando? — Sabrina Batista exibiu um sorriso no canto dos lábios ao ver o silêncio deles. — Não acabaram de dizer que estavam dispostos a ofender Henrique Ramos desde que eu pudesse voltar?
— Independentemente de querermos ou não ofendê-lo, você pelo menos precisa nos esclarecer qual é a situação entre vocês. — Wesley Couto rebateu, descontente após tantas provocações. — Isso quer dizer que a criança é mesmo do Henrique Ramos?
— É sim — assentiu Sabrina Batista, sem pensar duas vezes.
Com essas palavras, o rosto de Wesley Couto ficou visivelmente constrangido.
Só então empurrou a porta e entrou.
Lelê ainda dormia. Henrique Ramos estava deitado de lado ao lado do pequeno, com seus olhos longos e estreitos semicerrados, fixos em Lelê.
— A família Couto já foi. Você pode voltar para o seu quarto e descansar.
Henrique Ramos parecia estar deitado ali há muito tempo e estava com sono. Ele se virou de barriga para cima, apoiando as mãos sob a cabeça.
— Vou dormir um pouco.
Após dizer isso, fechou os olhos.
Sabrina Batista abriu a boca para falar, mas acabou não dizendo nada e deitou-se do outro lado.
Nas suas narinas misturava-se o suave cheiro de leite de Lelê com o leve aroma amadeirado de Henrique Ramos.

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