— E eu vou saber? Vá perguntar a ela você mesmo — O tom de Henrique Ramos era pesado e áspero.
— Eu perguntei a Ricardo Carneiro, e ele foi bem evasivo. Deu a entender que a relação dele com a Sabrina Batista é muito mais profunda do que eu imaginava, que não são apenas amigos comuns...
— Já terminou de falar? — cortou Henrique Ramos.
— O que o Ricardo Carneiro diz nem sempre é verdade, todo mundo sabe que ele adora um exagero. Por que você não pergunta para a Sabrina Batista? — sugeriu Fernando Moraes, num tom investigativo.
— E por que eu perguntaria algo?
— Você não acabou de descobrir que é pai? Então para de se meter na vida dos outros. — respondeu Henrique Ramos, tentando manter um tom aparentemente indiferente.
Em seguida, ele encerrou a chamada, apertando o celular com tanta força que as pontas de seus dedos ficaram brancas.
Após alguns segundos de um silêncio sepulcral, ele jogou o celular com força na cama, um impacto tão violento que o aparelho quicou algumas vezes e quase caiu no chão.
— Levou uma cinzeirada? Ótimo. Que aguente.
Na hora do almoço, Henrique Ramos desceu para comer.
Assim que chegou à mesa de jantar, viu Julia servindo a comida.
— Senhor Ramos, coma enquanto ainda está quente. A dona Sabrina disse que não vai descer para almoçar, mas o bebê ainda é muito pequeno e precisa ser amamentado, então vou levar uma bandeja para ela lá em cima!
— Ela não vem comer? — Henrique Ramos parou no meio do movimento de puxar a cadeira.
— É verdade — assentiu Julia. — Ela saiu por um tempo e, desde que voltou, parece estar de péssimo humor. Não sei o que aconteceu.
— Senhor Ramos, por que o senhor mesmo não leva a comida para ela?
Ao ouvir isso, Kiara, que estava servindo a sopa, arregalou os olhos na direção deles.
Embora Henrique Ramos se mostrasse muito proativo quando o assunto era cuidar de Lelê...
Ele definitivamente não parecia o tipo de homem que servia outras pessoas.
Será que ele realmente faria algo como levar uma refeição no quarto para Sabrina Batista?
— Me dê isso aqui — disse Henrique Ramos, pegando o prato preparado por Julia, arrumando-o em uma bandeja e virando-se para subir as escadas.
— Já estou em casa, foi só um arranhão. É só não molhar por uns dias e ficarei bem. Mas você ligou para saber sobre a diretora, não foi? Já mandei que a soltassem e, exatamente como você previu, ela se recusou a ir embora. Tive que mandar os seguranças jogarem-na no meio da cidade. Mas pode ficar tranquila, ordenei que a vigiassem.
— Que bom. Mas não se envolva mais nos assuntos da Larissa. Mande todos os seus homens recuarem — disse Sabrina Batista, com a voz soando clara e nítida no silêncio do quarto.
— Por que não? Eu quero te ajudar — resmungou Ricardo Carneiro, contrariado.
— Não quero que você se afunde nos problemas da Família Couto. Você já fez mais do que o suficiente por mim.
— No fim das contas, Sabrina Batista, você ainda não me considera alguém da sua confiança — suspirou Ricardo Carneiro, desanimado. — Tenho certeza de que você tem outros planos em mente, mas nesses planos eu não estou incluído. Você quer se apoiar no Henrique Ramos, não é? No seu subconsciente, ele é a única pessoa em quem você realmente confia.
— Não é nada disso...
— Não vou ficar discutindo isso com você. Só quero saber de uma coisa: sobre aquela questão do trabalho, continua de pé? Você vai continuar escolhendo ele ou vai trabalhar comigo?
O coração de Ricardo Carneiro apertou enquanto fazia aquela pergunta.
Para seu grande alívio, Sabrina Batista respondeu quase sem hesitar: — É claro que eu escolho você.

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