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Senhor Ramos, ele não é seu filho! romance Capítulo 557

Assim que as mãos de Marcel Couto tocaram Carlitos, o pequeno agarrou o colarinho de Sabrina Batista com força, à beira das lágrimas.

— Eu já vou, deixe-me apenas acalmá-lo um pouco.

Sabrina Batista interveio prontamente.

Ela levou Carlitos até o sofá e tirou um carrinho de brinquedo de sua bolsa.

— Olha, o seu carrinho preferido. É daqueles que andam quando a gente puxa pra trás. Vem, a madrinha vai brincar com você.

Sabrina Batista deixou Carlitos apoiado no sofá e caminhou para o outro lado, colocando o carrinho no chão e puxando-o para dar corda.

Ao soltá-lo, o carrinho fez um ruído de motorzinho e acelerou na direção de Carlitos.

Carlitos agachou-se, caiu sentado no chão de uma vez só e pegou o carrinho, encantado com o brinquedo.

Sabrina Batista estava prestes a se aproximar para brincar com ele novamente...

— A Oceana é uma pessoa intensa em seus sentimentos, ama e odeia com a mesma força. Ela sempre foi obstinada em procurar a sua família biológica. Embora não seja sua culpa que ela tenha ficado separada de nós por tantos anos, os responsáveis são os seus parentes mais próximos. Ela já não consegue encarar o relacionamento de vocês da mesma forma, portanto, não há necessidade de procurá-la mais.

Marcel Couto quebrou o silêncio mais uma vez.

"Não há necessidade de procurá-la mais", porque Oceana Reis... não queria vê-la!

O coração de Sabrina Batista apertou-se de súbito; o ar pareceu rarefeito, tornando difícil a respiração.

Ela se levantou, respirou fundo e olhou para Carlitos, que estava entretido brincando com o carrinho.

Lembranças da infância vieram à sua mente, de quando dividiam a mesma cama.

Oceana olhava para as estrelas pela janela, apertando a barriga vazia e ouvindo o estômago roncar de fome, enquanto fantasiava.

— Você acha que eu poderia ser filha de uma família rica? Se eu não tivesse me perdido, ou se não tivessem me abandonado, talvez eu vivesse cercada de luxos, sendo a princesinha mimada pelos meus pais?

A memória mais vívida de Sabrina Batista era daquele rostinho magro e desnutrido de Oceana Reis sob o luar, com os olhos vibrantes, cintilantes e cheios de uma esperança inabalável.

Aquele olhar puro e cristalino parecia atravessar as duas décadas que as separavam até os dias de hoje, atingindo Sabrina em cheio e fazendo-a sentir vergonha de cruzar o olhar com ela agora.

Na escola, sofriam bullying por serem órfãs, mas se encorajavam e se consolavam mutuamente. No começo da vida adulta, as duas se apoiavam para sobreviver; às vezes, o salário de uma sustentava as duas.

Elas já chegaram a dividir um único pão numa refeição, encontrando alegria nas dificuldades, melhorando de vida aos poucos. Olhando para trás, em cada fragmento do passado, elas estavam sempre juntas.

Ela se recusava a acreditar que Oceana Reis pudesse simplesmente jogar fora aquela amizade.

Contudo, Marcel Couto tinha razão em um ponto: Oceana Reis também não conseguiria abrir mão da própria família.

Marcel Couto e Elisa Sousa não a aceitavam, e a mera presença dela só deixaria Oceana Reis em uma situação dolorosa.

Sabrina Batista fungou, pegou a sua bolsa e deu as costas para sair da sala de descanso. Ao caminhar pelo corredor do segundo andar, o seu olhar desceu para o salão de banquetes no térreo.

Oceana Reis estava vestida com um longo vestido vermelho-borgonha, com uma maquiagem impecável e um sorriso deslumbrante no rosto.

Elisa Sousa estava ao seu lado, abraçando-a pelos ombros o tempo todo e protegendo-a com firmeza, temendo que ela desaparecesse ao mínimo descuido.

As duas circulavam entre os convidados, acolhendo as felicitações de todos os presentes.

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