— Como eu faria isso?
— Eu não sei de nada, como poderia trair você? — negou Luiz Moreira veementemente.
Ele não estava mentindo. Ele nunca havia pronunciado as palavras de que o filho de Sabrina Batista era de Henrique Ramos para ninguém.
— Obrigada. Quando eu me divorciar dele de novo, vou me afastar de todos vocês, assim você não vai mais se sentir traindo o Henrique toda vez que me vir. — Sabrina Batista observou a expressão dele e não pareceu que estava mentindo.
Se divorciar novamente? Luiz Moreira lembrou-se da cláusula que Henrique Ramos o fez adicionar...
O divórcio seria impossível.
— Quais são os seus planos em relação à Família Couto? — mudou Luiz Moreira de assunto. — O Senhor Ramos não pode intervir diretamente. Um confronto direto garantiria a vitória, mas não seria justo, e a Família Couto é especialista em encontrar brechas.
— Eu sei. Vou expor o lado sombrio da Família Couto, um passo de cada vez. — afirmou Sabrina Batista.
Se não por si mesma, por Oceana Reis, ela estava disposta a lutar contra o casal Wesley Couto.
— Se precisar de qualquer coisa, pode falar direto comigo. O Sr. Ramos me pediu para atender ao que você precisar — acrescentou Luiz Moreira.
— Obrigada. Não imaginava que causaria mais problemas para você. — Sabrina Batista assentiu.
— Não é problema algum. — Luiz Moreira foi sincero. — A filial na Cidade S tem pouco movimento. Desde que saí da sede, na capital, minha carga de trabalho caiu pela metade. Tenho muito tempo livre.
Atualmente, quem estava no comando da sede era Antonio Ramos.
Às dez horas, no Hotel Dourado.
Sabrina Batista entrou no salão de banquetes pontualmente.
O seu olhar recaiu de imediato sobre Carlitos no carrinho de bebê, num canto do salão.
Oceana Reis não estava presente. Ao lado do carrinho, havia apenas um menino de cerca de dez anos.
Os seus traços lembravam os de Oceana Reis; tratava-se de Lucas Couto.
Atrás deles, acompanhavam-nos alguns guarda-costas e uma empregada.
Sabrina Batista levantou levemente a barra do vestido e aproximou-se. Assim que chegou perto, Carlitos ergueu os bracinhos, pedindo colo.
— Ma! Ma!
A voz de Carlitos chamou a atenção de Lucas Couto.
Ele continuou puxando os pés de Carlitos, mas o bebê começou a espernear até conseguir soltar a mão dele.
Rapidamente, ele puxou o carrinho para perto, indicando para Sabrina Batista colocar Carlitos de volta.
Os guarda-costas e a empregada aproximaram-se imediatamente, cercando Sabrina Batista.
— Eu procuro por Oceana Reis. — Sabrina Batista manteve um tom calmo, sem querer arruinar a atmosfera do banquete.
— Nós somos representantes do Senhor Ramos. — Luiz Moreira entregou um cartão de visita.
Ao ver o cartão, os rostos dos guarda-costas mudaram sutilmente de expressão, e um deles se misturou à multidão para procurar Marcel Couto.
Cerca de cinco ou seis minutos depois, Sabrina Batista foi levada para uma sala de descanso no terceiro andar.
Carlitos permaneceu no colo dela. Com medo de que o sobrinho fosse levado, Lucas Couto também subiu.
Os dois sentaram-se frente a frente no sofá. Ao ver Carlitos aninhado nos braços de Sabrina Batista, acariciando o seu rosto e encostando o rostinho no dela, o rosto de Lucas Couto escureceu de raiva.
— O Carlitos ainda é pequeno e não sabe diferenciar o bem do mal. Bobagem nada, ela seria capaz de vender você!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ramos, ele não é seu filho!