Quando Sabrina Batista chegou à janela, viu o carro virando a esquina ao longe.
Ela se virou e desceu as escadas, cruzando com Henrique Ramos que acabara de entrar em casa.
— Foi você quem mandou entregarem o vestido?
Sabrina segurava um vestido elegante, de gola alta, em tom champanhe e de corte mais discreto.
O tamanho era perfeito, e combinava perfeitamente com a elegância dela.
— Já que você vai ao banquete no meu lugar, é claro que eu precisava deixar tudo preparado.
— Você já experimentou? — Henrique Ramos trocou os sapatos e caminhou em direção a ela.
— O tamanho ficou exato. — Sabrina Batista assentiu com a cabeça.
— Então está ótimo. — Henrique Ramos passou por ela e seguiu para a sala de estar.
Ele pegou Lelê no colo, colocou-o no sofá e sentou-se ao seu lado para adiantar o trabalho.
O bebê ficou ali quietinho, sem chorar nem se agitar; fechava os olhos e cochilava quando sentia sono, e ficava observando tudo ao redor quando estava desperto.
Quando chorava de vez em quando, era por fome ou por causa da fralda suja. Assim que isso era resolvido, ele voltava a ficar quietinho ao lado de Henrique.
Era completamente diferente de como se comportava quando estava com Sabrina.
Quando ela ficava sozinha com ele, o bebê resmungava o tempo todo querendo colo, e mesmo depois de alimentado e satisfeito, exigia ser carregado pela casa inteira.
— Era alguém da empresa procurando por você agora há pouco?
Ela referia-se à van executiva.
— Não. — respondeu Henrique Ramos, mantendo os olhos focados nos documentos.
— Era a Presidente Vieira? — especulou Sabrina Batista.
— Hum. — murmurou Henrique Ramos de forma sucinta.
— Por que ela não entrou? — Sabrina Batista aproximou-se e sentou-se.
— Por quê? Queria discutir um pouco com ela? — Henrique Ramos apertou os pezinhos de Lelê e olhou para ela.
— Claro que não.
Sabrina Batista apenas queria saber o que Henrique Ramos havia dito a Daniela Vieira.
Na manhã seguinte, às nove horas, Luiz Moreira levou Sabrina Batista até o hotel.
— Secretária Batista, como estão as coisas entre você e o Senhor Ramos? — perguntou Luiz Moreira com cautela, no meio do caminho.
— Como assim, como estão as coisas? — Sabrina Batista devolveu a pergunta. — Você mesmo imprimiu o acordo do nosso novo casamento. É só por um ano, em que cada um consegue o que precisa. No fundo, não é tão diferente de uma relação profissional.
— Ah? — Luiz Moreira pareceu surpreso.
Como Henrique Ramos conseguia manter a calma a ponto de não expor a verdade sobre a criança até agora?
— Então, você não planeja abrir o jogo com o Senhor Ramos sobre a criança...?
— Todos acham que o bebê é do Ricardo Carneiro no momento, e o Henrique Ramos também acredita nisso, não? Que jogo eu vou abrir? — Sabrina Batista balançou a cabeça.
Ao ouvir aquilo, Luiz Moreira sentiu até pena de Henrique Ramos.
— Boa sorte, Secretária Batista.
Ele estreitou os olhos com um sorriso cortês, desejando-lhe sorte genuinamente.
— Você está escondendo alguma coisa de mim? Você me traiu? — Sabrina Batista, com a sua percepção aguçada, notou que algo estava errado.

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