A ligação foi atendida, e a voz de Oceana Reis soou do outro lado da linha.
— O que diabos aconteceu?! Por que a Sabrina Batista foi embora com o Henrique Ramos?
Ricardo Carneiro estava furioso e desesperado.
— Será que o Henrique vai fazer alguma coisa com ela?
— Ela foi embora com o Henrique? — A voz de Oceana Reis soou complexa. — Ricardo Carneiro, você teve a sua chance e desperdiçou. Morando logo no andar de baixo, e mesmo assim você deixou que ele chegasse primeiro.
Ricardo Carneiro coçou os cabelos bagunçados.
— Eu... acabei dormindo demais.
— Você sabia muito bem que a Família Couto estava rondando e que a Sabrina Batista corria perigo, e mesmo assim conseguiu dormir?
Oceana Reis lamentou, mas sem demonstrar pena.
— Você realmente não é tão cauteloso quanto o Henrique Ramos. Foi melhor a Sabrina Batista ter ido com ele. Só espero que... no futuro, a Sabrina Batista não guarde rancor de mim.
Ricardo Carneiro soltou um palavrão indignado.
— Porra! Será que eu vou sempre perder pro Henrique Ramos em tudo? É só a Família Couto, eu não acredito que não consiga...
Ele desligou o telefone resmungando e praguejando.
——
Chácara das Palmeiras.
Uma região de frente para o mar e com as montanhas às costas, localizada em uma área turística nos arredores da Cidade S.
O quarto de Henrique Ramos ficava no terceiro andar, à direita. Ele acomodou Sabrina Batista e Lelê no quarto à esquerda, separados apenas pela escadaria.
— Senhor Ramos, o meu quarto fica no primeiro andar, acho que será difícil cuidar do Lelê daqui. Que tal se a Sabrina e o Lelê ficassem no primeiro andar também?
Como Kiara ficaria no térreo, sequer conseguiria ouvir os choros de Lelê.
Henrique Ramos parou no topo da escada do terceiro andar, apoiando os cotovelos no corrimão.
— Você será responsável pelas refeições da Sabrina Batista e por ficar de olho no Lelê quando ele estiver brincando lá embaixo. No restante do tempo, não há necessidade de você subir.
Kiara soltou um "Hã?" confuso e olhou para Sabrina Batista.
Sabrina Batista levantou-se do sofá, foi até o pé da escada e ergueu os olhos para ele.
— Eu nunca cuidei do Lelê sozinha à noite.
— Eu estarei lá. — respondeu Henrique Ramos.
Ele jogou essas palavras e, puxando as malas de Sabrina Batista e Lelê, entrou no quarto para arrumar as coisas.
Sabrina Batista ficou sem palavras.
Ele havia ficado viciado em cuidar do bebê?
— As duas coisas.
Afinal, o deles era um casamento por contrato, no qual ambos buscavam satisfazer as suas próprias necessidades.
— É bom que você consiga manter sempre essa linha bem definida. — Henrique Ramos levantou-se e saiu do quarto.
Após terminar de arrumar tudo, Sabrina Batista desceu. Kiara informou que Henrique Ramos havia ido para a empresa e não voltaria para jantar naquela noite.
— Sabrina, o Senhor Ramos pediu que eu passasse a chamá-la de senhora. Vocês... se casaram?
Kiara aproximou-se e perguntou em voz baixa:
— E o Lelê... é filho dele?
Sabrina Batista franziu as sobrancelhas finas.
— Por favor, continue me chamando de Sabrina.
Kiara continuou olhando para ela, aguardando a resposta para a outra pergunta.
— Estou com fome. A que horas o jantar ficará pronto? — Sabrina Batista preferiu mudar de assunto.
— Num instante. Tem um caldo de mocotó aqui, tome um pouco enquanto espera. — Kiara não insistiu mais e foi até a cozinha buscar uma tigela do caldo para ela.
Sabrina Batista tomou o caldo em pequenos goles, observando Lelê no carrinho.

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