Já que estava lá, não podia simplesmente dar meia-volta com a mala.
Sem falar que era raro Daniela falar com ela de maneira tão agradável.
— Não falo mais agora. Vou guardar minhas coisas. Volte esta noite também.
Dizendo isso, Sabrina desligou depressa, entrou na casa carregando a bagagem, cumprimentou os mais velhos um a um e só então subiu para arrumar suas coisas.
Assim que chegou à beira da escada, ouviu Daniela dizendo mais uma vez:
— Vi que você emagreceu nestes dias, deve estar cansada cuidando do Noriel. Deixe o Noriel comigo nestas noites e você pode dormir no antigo quarto.
O antigo quarto se referia ao quarto de Henrique.
Se ela continuasse monopolizando Sabrina no quarto ao lado, temia que Henrique acabasse armando confusão quando voltasse.
Sabrina concordou e subiu para ajeitar suas coisas.
À noite, depois do trabalho, quando Henrique voltou, ouviu Sabrina dizer que ficariam no mesmo cômodo. A sua expressão, que antes era de poucos amigos, melhorou consideravelmente.
— E a Mariana?
Durante o jantar, percebendo a ausência de Mariana, Henrique perguntou.
Daniela estava do lado da filha, como esperado.
— Você precisa dela para algo?
— Só perguntei à toa. Afinal, é minha irmã. — A última palavra saiu entre os dentes de Henrique.
Sua pergunta não envolvia preocupação ou cuidado, mas sim a busca por uma chance de ajustar contas.
Daniela conseguia notar:
— Como assim? Quer que sua mãe implore a você?
— Não é necessário. Já sei com quem acertar as contas.
Henrique não fez o favor a Daniela, e a briga entre ele e Mariana se estabeleceu de vez.
Sabrina deu um chute leve em Henrique por baixo da mesa.
A mão de Henrique deslizou sobre a mesa, apertando a pequena mão de Sabrina que estava em seu colo.
Os pequenos gestos entre eles continuavam e Daniela enxergava com clareza. Achou a cena vergonhosa.

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