O apartamento de Mariana não recebia visitas com frequência.
Além de Ricardo, não havia ninguém, mas o que ele teria voltado para fazer?
Enquanto pensava, o som da campainha parou e foi substituído por batidas na porta.
Batiam uma vez após a outra, de forma cada vez mais insistente.
— Já vou! — Mariana correu até a porta e abriu. — O que você quer aqui de novo? Nós combinamos que, a partir de hoje, cortamos de vez...
Antes de terminar, cruzou com o olhar interrogativo de Daniela Vieira. A voz dela parou.
— Quem veio até a sua casa? Combinaram o quê?
Daniela observava-a com ar confuso.
— Que pressa toda é essa? Parece até piada.
Enquanto falava, ela empurrou Mariana e entrou direto.
Mariana instintivamente a bloqueou.
— Por que você veio de repente? Algum problema?
Daniela não gostou da ação. Quando abaixou a cabeça para empurrar a mão de Mariana, deparou-se com a caixinha na mão dela.
— O que é isso?
Mariana puxou a mão de imediato, mas a caixa estava aberta, e o conteúdo caiu.
As camisinhas se espalharam pelo chão. Mariana começou a juntá-las desajeitadamente, pegando com a mão esquerda e a direita e colocando contra o corpo.
Quanto mais pegava, mais desorganizado ficava, e a confusão só aumentava.
— Onde você conseguiu essas coisas?
Como uma pessoa experiente, Daniela reconheceu o que era na hora.
E enquanto Mariana se abaixava para recolher tudo, as marcas de beijo em seu pescoço ficaram à mostra.
— Você...
Mariana entrou em pânico, sem saber se cobria o pescoço ou se recolhia as coisas. Acabou se sentando no chão de vez.
— Mãe, o que você veio fazer aqui?
O rosto de Daniela escureceu. Ela a observou por um tempo.
— Vim perguntar o que aconteceu na sua briga com a Sabrina.
Ela tinha percebido, com certo atraso, que havia algo errado.

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