Fernando Moraes os seguiu em silêncio ao sair do avião. Ele estava com tanta pressa que nem trouxe bagagem, acompanhando-os até a esteira para retirar as malas.
Elisa Sousa estava ao lado de Oceana Reis, querendo pegar Carlitos no colo.
Mas Carlitos tinha acabado de acordar e estava há dias longe de Oceana, então insistiu para que ela o segurasse.
O pequeno estava deitado no ombro de Oceana, rolando os olhos, quando de repente viu Fernando parado a uma curta distância.
Ele se endireitou de imediato, encarando Fernando.
— Fernando!
Esse grito fez o coração de Oceana dar um salto.
E fez Fernando se encher de alegria.
Fernando não hesitou mais e avançou na mesma hora.
— Oceana...
— Pai, mãe, peguem a bagagem para mim. Vou pegar um táxi e ir para casa. Estou muito cansada e quero descansar.
Dizendo isso, ela virou de costas e saiu andando com Carlitos no colo.
Mas Carlitos se recusou. Ele agarrou a gola dela com as duas mãos e ergueu os bracinhos na direção de Fernando.
— Mamãe, não vai. O Fernando! O Fernando está ali!
Ele murmurava. Vendo que Oceana agia como se não tivesse ouvido e continuava andando, Carlitos começou a chorar de desespero.
— Fernando... Buáááá!
O choro alto da criança se destacou no barulhento aeroporto.
Todos os olhares caíam sobre eles, fazendo com que Oceana parecesse estar sequestrando a criança.
Oceana não aguentou os olhares frequentes, virou-se, entregou Carlitos para Elisa Sousa e foi embora sozinha.
Carlitos não queria o Fernando? Então que fosse atrás dele.
Deixou que Fernando ficasse com Carlitos no aeroporto. Assim, evitava que ele a seguisse e perturbasse seus ouvidos.
Oceana andava rápido, cruzando a multidão.
De repente, ela achou algo estranho. Os olhares ao redor estavam estranhos.
Ela parou de andar, olhou para trás e viu Fernando com Carlitos no colo, seguindo-a de perto.
Para dizer a verdade, quando os dois ficaram lado a lado, cerca de setenta a oitenta por cento dos traços faciais deles eram idênticos.
Oceana finalmente perdeu a paciência. Ela puxou o braço de Fernando e caminhou para o lado.
— O que você está fazendo?
Embora a tivessem alcançado, Carlitos não queria mesmo ir atrás dele. Ao ver que a mãe não corria mais, parou de chorar.
O pequeno abraçou o pescoço de Fernando, fungou o nariz e, antes que Fernando pudesse responder, perguntou de volta.
— Mamãe, por que você tava correndo?
Oceana: — ...
— Oceana, vamos conversar.
O tom de Fernando era um pouco mais suave. — Pode ser?
As pessoas iam e vinham ao redor. Oceana não queria conversar, mas acabou dizendo: — Você tem cinco minutos.
Fernando: — O que você quer que eu faça para acreditar que o Carlitos é meu filho?
— Eu te disse para pular do avião e você não pulou.
Oceana falou com convicção: — E você acha que só porque o Carlitos é seu filho eu vou mudar de ideia e ficar com você? Você foi investigar a origem do Carlitos, descobriu agora e aí mudou de atitude, né? Então se o Carlitos não fosse seu filho, você não teria vindo atrás de mim.

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