Na verdade, mesmo que Fernando tivesse recitado corretamente, a polícia não poderia descartar a hipótese de um relacionamento ilícito.
Hoje em dia, muitos envolvidos em prostituição checam as identidades antes e decoram o nome e o documento.
A polícia só pediu para ele recitar para dar um voto de confiança.
O problema foi que ele errou, o que não só não aliviou, como agravou as suspeitas.
Era algo que deixava qualquer um sem palavras.
— Vocês passaram dos limites! Eu já esperava que as pessoas olhassem para mim com nojo, mas por que você também agiu assim? Fingiu que não me conhecia e quis sair correndo.
Oceana acusou Sabrina.
Sabrina respondeu: — Quando estávamos a caminho, pensei que se você tivesse sofrido algum abuso, com certeza te ajudaria a buscar justiça. Posso até bater em alguém por você, mas não posso passar vergonha junto com você.
Afinal, ela não estava manchando apenas a própria imagem.
Ela carregava o peso da reputação da Família Ramos a todo momento.
Não era o mesmo caso de Fernando? Ele estava pensando não só na própria imagem, já que a crise no Grupo Moraes ainda não estava resolvida.
Se ele causasse mais confusão, o Grupo Moraes não teria volta.
Por isso, por mais que a polícia o questionasse, ele jamais revelou sua identidade.
No fim, quem acabou levando a culpa por toda a bagunça foi Henrique.
Meia hora depois, o grupo saiu da delegacia.
Henrique segurou Sabrina e foi direto para o carro, apressando o passo.
Sabrina mal conseguia acompanhá-lo.
Essa reação já era esperada por Fernando e Oceana.
Então, antes mesmo que os dois pudessem fugir de carro, Fernando e Oceana já estavam na porta esperando.
Fernando usava o roupão e estava descalço.
Oceana estava vestida, mas calçava as pantufas do hotel.
Henrique franziu os dentes, abriu a porta do passageiro e mandou Sabrina entrar.
Quando ele finalmente entrou no carro, Oceana e Fernando já estavam instalados nos bancos de trás.
Durante o caminho inteiro, Henrique ofendia os dois pelo retrovisor apenas com o olhar.
Fernando e Oceana podiam ver perfeitamente.
Mas como não tinham moral para falar nada, ficaram calados.
— Eles não fizeram de propósito.
Sabrina tentou defender Oceana e Fernando.
Henrique disse: — Não bastava dar dor de cabeça à noite, tinham que arrumar confusão de dia e parar na delegacia.
Ele estava fervendo de raiva por algo que a polícia havia comentado.
Normalmente, as inspeções policiais desse tipo acontecem à noite.
Hoje, os policiais resolveram fazer uma ronda de dia porque estavam com tempo livre.
E, por azar, pegaram logo os dois.
Se não fosse pelo status de Henrique, a surpresa na voz dos policiais rapidamente teria se transformado em deboche.
Se Henrique cometeu algum erro na vida, que a lei o punisse.
E não que fosse humilhado por causa dos amigos.
Os lábios de Sabrina tremeram, não achava que era uma questão de vergonha, apenas sentia que...
Se não fossem seus amigos, ela ficaria bem longe daquelas pessoas.

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